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20/08/2012

[Poema] Bem aqui







Que a brisa leve dos teus olhos leve o aroma da felicidade 
E o sabor dos teus beijos destruam cada desejo tornado vão, 
Que afetam a pureza do ser e causam tamanha dor ao meu coração. 
Pois, minha vida é dosada por gotas, ora de paixão, ora de dor, 
As quais aceleram o sangue e causam corrosão no decorrer da saudade! 
Consequentemente existe algo armazenado em meu peito e por tal efeito, 
Ousei de maneira constante e contundente, batizá-lo de "amor". 
Talvez eu seja bem confuso e panoramicamente equivocado, 
De sentimentos estranhos, atitudes reversas e opiniões indeléveis. 
Diante de toda a palavra, pronunciada na boca ou na mente, 
Que ao longo do curto tempo de toda minha vida é concretizada. 
Tudo isso traz humores oscilatórios, vazios transitórios, 
Os quais atravessam o corpo e tornam a alma desobediente. 
Posso simultaneamente ver e não ver o que foi transformado, 
De criação a aniquilação de sentimentos meu ser é baseado. 
Em meio a esses sentimentos manifesta o amor pela vida, 
Do qual os sonhos são alimentados e o sol volta a brilhar no hoje, 
E, por fim, permanecem aqui: nem tão perto, nem tão longe!


 (Luis Valério Prandel)

03/08/2012

[Poema] Poema de Camões




Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.


Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.


Brado: - Não me fujais, sombra benina!
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,


Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina...
Antes que diga: - mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.


(Luís Vaz de Camões)

25/03/2012

[...] Permeando sonhos


Estamos inseridos em um mundo hiper-confuso no qual a alma busca uma saída: vai permeando regiões onde reinam sonhos e esperanças. De repente, nos deparamos com a rotina diária e encontramos sinais angustiantes das dores passadas e da solidão atual. Porém, outras vezes, fugimos dessa rude realidade e sentimos as alegrias jamais vivenciadas, porém, frequentemente sonhadas. Com esse estado de espírito, a alma volta a permear e o nosso ser retoma ao estado de felicidade!

(Luis Valério Prandel)

11/02/2012

[...] Nós*

Nós humanos... Seres simples diante de um todo e ao mesmo tempo complexos diante de uma parte da própria consciência. Estamos mergulhados em um fluído denso de informações as quais nos causam prazer ou dor. O que é nossa vida senão um aglomerado de causas e efeitos, atos e potências ao longo do tempo? Os vazios da alma podem ser preenchidos provisoriamente por fluídos denominados "sonhos" que são agentes causadores de potencialidades. Se tudo isso gerar prazer em nossa vida e a consciência acordar, a alma torna-se livre para que esses sonhos sejam convertidos em atos de amor totalmente efetivos. Nós: conjunto de seres que podem afetar positivamente (ou não) a simplicidade e a complexidade humana!

(Luis Valério Prandel)        
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* A palavra "nós" pode ser interpretada em duplo sentido: tanto como pronome pessoal da primeira pessoa do plural ou como o plural de laço, neste caso, de  pessoas que são interligadas de certa maneira, formando as redes sociais.

11/01/2012

[...] Noite


Ó noite onde as estrelas mentem luz, ó noite, única coisa do tamanho do universo, torna-me, corpo e alma, parte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrelas em mim, nem sol esperado que ilumine do futuro.

(Fernando Pessoa)

12/02/2011

[...] Alegria

Sentimento que atinge o âmago de qualquer essência, que causa candura...

Enobrece o ser e revigora sua alma...

Preenche os vazios, trazendo a felicidade...

Contagiante, envolvente e participante, totalmente...

Pode ser duradoura, rompendo as barreiras da arrogância...

E eterna, quando se alcança algo que sonha...


(Luis Valério Prandel)

06/01/2011

[...] Agindo...

Falando perfeitamente, de modo incoerente... passando ao lado dos túmulos e resgatando na memória a imperfeição de toda gente, que é frequente...


Aumentando mais o som do silêncio da ausência, diminuindo a vacância e a maledicência...


Aproveitando cada ocaso do acaso, matando qualquer lágrima do rosto, suprindo qualquer marca de desgosto...


Usufruíndo da velha dor já rejeitada, conspirando contra qualquer palavra alterada e alternada...


Lançando toda a loucura contra os lastros do pensamento lógico, buscando a quimera de um sonho mágico e jogando fora tudo o que é trágico... 


(Luis Valério Prandel)

28/12/2010

[...] Pseudo-realidade materialista

Quando fujo do mundo das ideias entro em contato com o mundo material, noto que a vida corpórea é amplamente ilusória, formada de felicidades finitas. A felicidade que perdura é aquela que está no pensamento, nos sonhos e sentimentos que não é afetada pelas ações do mundo.

Há medida que o nosso pensamento turva, mergulhamos na realidade, que na verdade é chamada erroneamente de realidade. Como podemos ter a certeza de que a realidade está no mundo que estamos inseridos? Por que não sabemos explicar a morte e o nascimento?

Ao meu ver, esta "realidade materialista" (pseudo-realidade) é ilusória e passageira que vai matando aos poucos nossa mente a medida que o corpo vai sendo afetado. No mundo das ideias a felicidade dura para sempre quando não é destruída pela falsa realidade material, os sonhos existem e trazem felicidade quando não se colapsam a pseudo-realizade.

Melhor sentimos a presença de Deus em nossos pensamentos (dizemos que é em nosso coração por acreditarmos que este sentimento é corpóreo e está relacionado com o nosso sistema circulatório), pois olhamos para este mundo sádico e o vemos apenas como algo provisório no qual passamos por ele e almejamos uma outra vida completamente não materialista de eterna felicidade. É isto que a maioria das religiões afirmam.

Os atos de bondade partem dos pensamentos, dos sonhos, da fé e estes sim trazem felicidade. Infelizmente estes atos saem do mundo superior das ideias e são inseridos no mundo material. Em consequência disso, estes atos na maioria das vezes são corroídos pela pseudo-realidade e podem extinguir-se por completo no mundo real das ideias.

A maioria dos seres humanos se esqueceram da razão e entregaram suas almas para a pseudo-realidade materialista na qual os bons sentimentos e sonhos são aniquilados por uma sórdida ilusão.

(Luis Valério Prandel)

25/09/2010

[...] Sonhador

Um sonhador... eterno sonhador... portador de infinitos sonhos... É aquele que desloca-se ao longo da imensa estrada de sua imaginação... Ao longo do caminho encontra um descanso seguro na esperança... Quando chega a seu destino não para, usa-o como abrigo e depois prossegue a viagem rumo a outros destinos... Tantos sonhos... quantas pedras... quantas flores... tantas cores... Uma viagem dentro do universo da intuição e também sobre o mundo da razão... Viajando, sonhando, esperando e por fim alcançando...

(Luis Valério Prandel)

06/07/2010

[Reflexão] Paro e penso? E/ou penso e paro?

Paro e penso e/ou penso e paro...

O cérebro está carregado de informações: sentimentos assintóticos, de sonhos antigos e contemporâneos, de más e boas recordações acumuladas ao longo do tempo.

Daí penso no tempo...

Tempo, uma sucessão de eventos que nunca param ou um determinado momento que passa e não demos a devida importância...

Tempo que é quantitativo (Khronos, Χρόνος) quando seu intervalo é medido, podendo ser uma sequência de recordações muito bem fixadas em suas respectivas datas...

Tempo que pode ser qualitativo (Kairos, καιρός) tornando-se acelerado ou lento dentro da imaginação, dependendo se determinado fato sensibiliza ou não nossos sentimentos e sonhos.

Logo, eu encontro uma contradição em meu ser: será que chego parar para pensar? E/ou quando penso, eu paro verdadeiramente?


(Luis Valério Prandel)

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