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12/08/2012

[Poema] Tristeza do Infinito














Anda em mim, soturnamente, 
uma tristeza ociosa, 
sem objetivo, latente, 
vaga, indecisa, medrosa. 

Como ave torva e sem rumo, 
ondula, vagueia, oscila 
e sobe em nuvens de fumo 
e na minh'alma se asila. 

Uma tristeza que eu, mudo, 
fico nela meditando 
e meditando, por tudo 
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde, 
de não sei quando nem como... 
flor mortal, que dentro esconde 
sementes de um mago pomo. 

Dessas tristezas incertas, 
esparsas, indefinidas... 
como almas vagas, desertas 
no rumo eterno das vidas. 




Tristeza sem causa forte, 
diversa de outras tristezas, 
nem da vida nem da morte 
gerada nas correntezas... 

Tristeza de outros espaços, 
de outros céus, de outras esferas, 
de outros límpidos abraços, 
de outras castas primaveras. 

Dessas tristezas que vagam 
com volúpias tão sombrias 
que as nossas almas alagam 
de estranhas melancolias. 

Dessas tristezas sem fundo, 
sem origens prolongadas, 
sem saudades deste mundo, 
sem noites, sem alvoradas. 

Que principiam no sonho 
e acabam na Realidade, 
através do mar tristonho 
desta absurda Imensidade. 

Certa tristeza indizível, 
abstrata, como se fosse 
a grande alma do Sensível 
magoada, mística, doce. 

Ah! tristeza imponderável, 
abismo, mistério, aflito, 
torturante, formidável... 
ah! tristeza do Infinito!



(Cruz e Souza)

15/01/2012

[Poema] Sonhador


Por sóis, por belos sóis alvissareiros, 
Nos troféus do teu Sonho irás cantando, 
As púrpuras romanas arrastando, 
Engrinaldado de imortais loureiros. 
       
Nobre guerreiro audaz entre os guerreiros, 
Das Idéias as lanças sopesando, 
Verás, a pouco e pouco, desfilando 
Todos os teus desejos condoreiros... 
    
Imaculado, sobre o lodo imundo, 
Há de subir, com as vivas castidades, 
Das tuas glórias o clarão profundo. 
      
Há de subir, além de eternidades, 
Diante do torvo crocitar do mundo, 
Para o branco Sacrário das Saudades! 


(Cruz e Sousa)

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