Frase do dia

Mostrando postagens com marcador ideia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ideia. Mostrar todas as postagens

26/03/2022

[Poema] A Ideia


De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

(Augusto dos Anjos) 

21/11/2013

[Citação] Disponibilidade Mental


Gostaria de exprimir uma ideia que me ocorreu recentemente. Quando estava a viver sozinho neste país, notei como a monotonia de uma vida pacata estimula uma mente criativa. Existem algumas ocupações, mesmo na sociedade moderna, que requerem uma vida isolada e não exigem grande esforço físico ou intelectual. Vêem-me à ideia ocupações como o serviço de faróis e de barcos-faróis. Seria possível colocar jovens que desejem refletir sobre problemas científicos, especialmente de natureza matemática ou filosófica, nestas ocupações? Muito poucos jovens com semelhantes ambições têm, durante o período mais produtivo da sua vida, a oportunidade de se dedicarem, sem interrupções durante um certo período de tempo, a problemas de natureza científica. Mesmo um jovem que tenha a sorte de obter uma bolsa de estudo durante um período limitado de tempo é pressionado a chegar o mais depressa possível a conclusões definitivas. Tal pressão apenas pode ser prejudicial a um estudante de ciência pura. Com efeito, o jovem cientista que começa uma profissão prática que lhe permite ganhar o suficiente para viver está numa posição muito melhor, assumindo, é claro, que a sua profissão lhe deixa tempo e energia suficientes para se dedicar ao trabalho científico. 

[Albert Einstein, in "Discurso (1933)"]

21/11/2012

[Filosofia] O Entendimento Humano


"Dizer que há verdades impressas na alma, que a alma não apercebe ou não entende, é, parece-me, uma espécie de contradição, pois a ação de imprimir não designa outra coisa senão fazer aperceber certas verdades. (...) Dizer que uma noção está gravada na alma e sustentar ao mesmo tempo que a alma não a a conhece e que não teve ainda nenhum conhecimento dela, é fazer desta impressão um puro nada. Não se pode de todo assegurar que uma certa proposição esteja no espírito , quando o espírito ainda não a apercebeu nem descobriu nenhuma ideia em si próprio. (...) E assim esta grande  questão reduzir-se-á unicamente a dizer que aqueles que falam de princípios inatos falam muito impropriamente; mas que no fundo eles creem na mesma coisa que os que negam que os haja; porque não penso que alguém tenha alguma vez negado que a alma fosse capaz de conhecer várias verdades. É esta capacidade, diz-se, que é inata; e é o conhecimento de tal ou tal verdade que se deve chamar adquirida. Mas se é isso tudo o que se pretende, para quê o entusiasmo em manter que há certas máximas inatas ? (...)

Admitamos, pois, que, na origem, a alma é como que uma tábua rasa, sem quaisquer caracteres, vazia de qualquer ideia. Como é que adquire ideias? Por que meio recebe essa imensa quantidade que a imaginação do homem, sempre ativa e ilimitada, lhe apresenta com uma variedade quase infinita? Aonde vai ela buscar todos esses materiais que fundamentam os seus raciocínios e os seus conhecimentos? Respondo com uma palavra: à experiência. É essa a base de todos os nossos conhecimentos e é nela que assenta a sua origem. As observações que fazemos no que se refere a objetos exteriores e sensíveis ou as que dizem respeito às operações interiores da nossa alma, que nós apercebemos e sobre as quais reflectimos, dão ao espírito os materiais dos seus pensamentos. São essas as duas fontes em que se baseiam todas as ideias que, de um ponto de vista natural, possuímos ou podemos vir a possuir.

E primeiramente, sendo os sentidos excitados por certos objetos exteriores, fazem entrar na alma várias percepções distintas das coisas, segundo as diversas maneiras por que estes objetos agem sobre os nossos sentidos. É assim que adquirimos as ideias que temos do branco, do amarelo, do quente, do frio, do duro, do mole, do doce, do amargo, e de tudo o que denominamos qualidades sensíveis. Direi que os nossos sentidos fazem entrar todas estas ideias na nossa alma, pelo que me parece que eles fazem entrar objetos exteriores na lama, o que produz nela estas espécies de percepções. E como esta grande fonte da maior parte das ideias que nós temos depende inteiramente dos sentidos e por meio deles se comunica ao entendimento, chamo-a sensação.

A outra fonte de que o entendimento vem a receber ideias  é a percepção das operações da nossa alma sobre as ideias que recebeu dos sentidos: operações que, tornando-se o objeto das reflexões da alma, produzem no entendimento uma outra espécie de ideias, que os objetos exteriores não poderiam ter-lhe fornecido : tais são as ideias do que chamamos aperceber, pensar, duvidar, crer, raciocinar, conhecer, querer e todas as diferentes ações da alma. (...) Chamarei a esta fonte [do nosso conhecimento] reflexão, porque por seu intermédio a alma não recebe senão as ideias que adquire refletindo sobre as suas próprias operações.

O entendimento não me parece ter absolutamente nenhuma ideia que lhe não venha de uma destas duas fontes (...), embora talvez combinadas e aumentadas pelo entendimento, com uma variedade infinita."

(John Locke in "Ensaio sobre o Entendimento Humano")

11/08/2012

[Poema] O meu nirvana


No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéa Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas —

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!

(Augusto dos Anjos)

02/01/2012

[Poema] O Universo

O universo não é uma idéia minha.

A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.

A noite não anoitece pelos meus olhos,

A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.

Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos

A noite anoitece concretamente

E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.

(Fernando Pessoa)

29/12/2011

[...] Ocaso das ideias

Cadê as ideias? Pois tornaram-se mais raras em nosso quotidiano... Essa raridade nos leva a seguinte reflexão: tecnologia nos dá a impossibilidade de se gerar ideias?... Podemos dizer que a tecnologia surgiu a partir de ideias, porém, de algumas pessoas. Já a maioria, a qual em certos pontos me sinto incluído, se tornaram "vampiros de informações", os quais, com o auxílio de toda tecnologia que o mundo oferece, apenas sugam informações alheias. Torna-se assim seres repletos de conteúdos não digeridos por seus próprios intelectos muito bem capacitados... Informações parasitas que são frequentemente injetadas e ejetadas geram o ocaso das ideias!

(Luis Valério Prandel)

28/12/2010

[...] Pseudo-realidade materialista

Quando fujo do mundo das ideias entro em contato com o mundo material, noto que a vida corpórea é amplamente ilusória, formada de felicidades finitas. A felicidade que perdura é aquela que está no pensamento, nos sonhos e sentimentos que não é afetada pelas ações do mundo.

Há medida que o nosso pensamento turva, mergulhamos na realidade, que na verdade é chamada erroneamente de realidade. Como podemos ter a certeza de que a realidade está no mundo que estamos inseridos? Por que não sabemos explicar a morte e o nascimento?

Ao meu ver, esta "realidade materialista" (pseudo-realidade) é ilusória e passageira que vai matando aos poucos nossa mente a medida que o corpo vai sendo afetado. No mundo das ideias a felicidade dura para sempre quando não é destruída pela falsa realidade material, os sonhos existem e trazem felicidade quando não se colapsam a pseudo-realizade.

Melhor sentimos a presença de Deus em nossos pensamentos (dizemos que é em nosso coração por acreditarmos que este sentimento é corpóreo e está relacionado com o nosso sistema circulatório), pois olhamos para este mundo sádico e o vemos apenas como algo provisório no qual passamos por ele e almejamos uma outra vida completamente não materialista de eterna felicidade. É isto que a maioria das religiões afirmam.

Os atos de bondade partem dos pensamentos, dos sonhos, da fé e estes sim trazem felicidade. Infelizmente estes atos saem do mundo superior das ideias e são inseridos no mundo material. Em consequência disso, estes atos na maioria das vezes são corroídos pela pseudo-realidade e podem extinguir-se por completo no mundo real das ideias.

A maioria dos seres humanos se esqueceram da razão e entregaram suas almas para a pseudo-realidade materialista na qual os bons sentimentos e sonhos são aniquilados por uma sórdida ilusão.

(Luis Valério Prandel)

22/08/2010

[...] Dia escuro e noite clara


O sol brilhou...
A vida exaltou...
E um sentimento exclamou...
As mentes são iluminadas, mas tu não iluminas quando mentes
A luz e o sopro foram espalhados...
Também a escuridão foi disseminada nas mentes...
Sombras e luzes, breus e raios foram misturados
A brisa suave se propagou e a claridade refletiu
Matando a noite e o escuro foi sumindo
Depois o lume se foi e a nuvem escura surgiu
O dia morreu e o clarão foi ferido
Uma sequência interminável de lua e sol
O sol reflete na lua, mas a lua não reflete no sol
Minha mente: dia e noite, ideias limpas e obscuras
Minha vida: brilhos e sopros, nuvens claras e escuras
...e tudo oscila continuamente e indefinidamente
na exaltada vida e na iluminada mente...

(Luis Valério Prandel)

Ver também