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16/09/2012

[Poema] Noturno


Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?


(Ariano Suassuna)

03/08/2012

[Poema] Poema de Camões




Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.


Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.


Brado: - Não me fujais, sombra benina!
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,


Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina...
Antes que diga: - mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.


(Luís Vaz de Camões)

14/02/2012

[Poema] Caminho além do caminho


O caos fundiu aquele olhar,
Palpitando emoções.
A voz insistiu a clamar,
Nos vãos dos corações.

Passado profundo...

Emancipando mente travada,
Protesto garantido,
De uma mente enclausurada,
E um só indefinido.

Presente oriundo...

Assim a irmã da minha loucura
É minh'alma abatida.
A mãe de toda minha ternura,
Aqui fortalecida.

Futuro rotundo...

Aspergiremos palavras sem nexo, 
Aos olhos da razão.
Irá além do prazer perplexo,
Parte do corpo são.

(Luis Valério Prandel)

04/02/2012

[Poema] Infinito Complexo


Infinito tão complexo,
De calma e estranha beleza.
Verdades agindo sem nexo,
Com elevada pureza.

Alma passeia complexa,
No espaço quase infinito.
A vida está anexa
Ao universo indescrito.

Calor do sol chega e fere,
Em tamanha escala,
Todo o ser que adere
E denso fluído exala.

Atividade caótica,
Complexa e infinita.
Fugindo da nossa óptica,
Perpassando toda a vida.

Detalhes sempre evitados,
Num cotidiano raso.
Sentimentos acelerados
E infelizes nesse caso.

Na boca causadora da morte,
Nos olhos causadores da luz.
Que todo esse infinito aporte,
Ao centro de uma simples cruz.

Areia de cristais envelhecidos,
Água causadora de tantas vidas.
Nos corpos são tão bem acrescidos,
De complexidades pré-existidas.

Absorvendo a latência do sol
E do cosmos estranho e sem fim.
Linha do tempo em caracol,
Acumulando destinos em mim!

(Luis Valério Prandel)

02/01/2012

[Poema] O Universo

O universo não é uma idéia minha.

A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.

A noite não anoitece pelos meus olhos,

A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.

Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos

A noite anoitece concretamente

E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.

(Fernando Pessoa)

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