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31/01/2020

[Biologia] Curiosidades sobre as células HeLa

Uma célula HeLa é um tipo de "célula imortal" usada ​​em pesquisas científicas. Esta é a linhagem celular humana mais antiga e mais utilizada. 

A linhagem foi derivada a partir de células obtidas de um câncer cervical coletadas em 8 de fevereiro de 1951 de Henrietta Lacks, uma paciente que acabou por morrer de seu câncer em 4 de outubro de 1951. Descobriu-se que a linhagem celular era extremamente durável e prolífica como ilustrado pela sua contaminação de muitas outras linhas celulares utilizadas na investigação.

"Não dá para saber quantas células de Henrietta ainda circulam. Um pesquisador estima que, juntas, pesariam 50 milhões de toneladas, algo inconcebível, porque cada uma pesa quase nada", disse Rebecca Skloot, autora do livro A Vida Imortal de Henrietta Lacks.


Algumas curiosidades sobre as células HeLa:


1. Apesar de serem cancerosas, as células HeLa comportam-se como células normais do corpo. 
Isso permitiu aos cientistas aprender como elas reagiam em determinados ambientes. Possibilidades de pesquisa que um dia estavam fora dos limites ou eram antiéticas de repente se tornaram uma realidade à medida que os cientistas começaram a entender como a divisão celular ocorre ou como um vírus afeta uma célula.

2. As células foram retiradas sem o conhecimento ou consentimento de Henrietta.
Na década de 1950, não era considerado antiético usar alguém em um estudo científico sem a sua permissão ou fornecer tratamento médico não autorizado. Não existiam leis para proteger os direitos de pessoas como Henrietta, que tiveram sua privacidade violada pelos pesquisadores.

3. As células HeLa foram fundamentais para a pesquisa do câncer precoce
Graças a estudos feitos com células HeLa, os pesquisadores têm aprendido muito sobre o funcionamento das células cancerosas. Descobriu-se que as células de Henrietta ativaram uma enzima chamada telomerase utilizada para reparar o DNA danificado. Isto significa que as células HeLa proliferavam e prosperavam em oposição às células normais, que simplesmente morrem após um curto período de tempo.

4. As células HeLa têm ajudado na progressão da pesquisa genética
Em 1953, um geneticista do Texas estava trabalhando com as células HeLa quando uma substância química acidentalmente caiu sobre elas. No entanto, este potencial desastre acabou por ser uma bênção surpresa. Após observação, o cientista percebeu que os cromossomos dentro das células aumentaram de tamanho e, essencialmente, se desembaraçaram, tornando-se mais visíveis – cromossomos são compostos por longas fitas duplas de DNA, totalmente emboladas.

5. Pesquisas com as células HeLa levaram à criação da vacina contra o câncer do colo do útero
Em 2008, o virologista alemão Harald zur Hausen foi homenageado com o Prêmio Nobel por sua descoberta decisiva de que duas cepas de HPV estavam diretamente ligadas ao câncer cervical. Na década de 1970, acreditava-se que o herpes simplex causava o câncer do colo do útero.


6. As células HeLa contaminaram outras culturas de células em todo o mundo
Descobriu-se que as células HeLa podem viajar através do ar – aumentando exponencialmente o risco de contaminação. Nas décadas de 1950 e 1960, os laboratórios não eram devidamente equipados para pará-las, o que causou o prejuízo milionário e perda do tempo investido nas pesquisas que acabaram contaminadas. Felizmente, desde então foram feitas melhorias para inibir tais erros em técnicas de cultura de células.

7. O envolvimento das células HeLa contribuiu para criar a vacina contra a poliomielite e paralisia infantil

8. Alguns cientistas sugerem que as células HeLa podem ser uma nova espécie
De acordo com o biólogo evolucionista Leigh Van Valen, da Universidade de Chicago, as células HeLa não têm nenhuma conexão com as pessoas. Van Valen e outros cientistas afirmaram que as células são microbianas em sua natureza, não têm qualquer semelhança com as células humanas e devem ser consideradas como uma espécie inteiramente nova.
Acredita-se que as células HeLa evoluíram geneticamente ao longo do tempo para se adaptar ao seu ambiente – a placa de Petri – como resultado da seleção natural. Há quem diga que atualmente há novas linhagens de células HeLa que surgiram nos últimos anos.
Um outro estudo, de professores da Universidade da Califórnia em Berkeley, sugere que o processo pelo qual as células cancerosas são geradas é a base para a criação de uma nova espécie. O mesmo artigo, publicado na revista “Cell Cycle”, também faz menção a tumores que devem ser pensados como “organismos parasitas”.

9. O segredo da imortalidade das células de Henrietta permaneceu desconhecido até o final da década de 1990. 
Todo câncer é uma forma de mutação do DNA da célula. No caso da HeLa, a célula sofreu uma mutação que produz uma enzima chamada telomerase, que controla a renovação dos cromossomos cada vez que a célula se divide. Ao contrário das células normais, que vão se desgastando a cada divisão, o tumor de Henrietta não sofre danos quando se multiplica – e, assim, se torna imortal.

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Fontes e informações detalhadas sobre o assunto:
- Listverse (texto original em inglês)
- Hypescience
- Superinteressante
- BBC
- Wikipedia
- Pesquisa com celulas HeLa no Brasil (notícia de 05/06/19) 

02/01/2014

[Saúde] Riscos e malefícios do narguilé

O narguilé é um grande cachimbo de origem indiana composto de um fornilho (onde o fumo é queimado), um recipiente com água perfumada (que o fumo atravessa antes de chegar à boca) e um tubo, por onde a fumaça é aspirada pelas várias pessoas que compartilham uma sessão. Como qualquer outro produto derivado do tabaco, o narguilé contém nicotina e as mesmas 4.700 substâncias tóxicas do cigarro convencional. Porém, análises comprovam que sua fumaça contém quantidades superiores de nicotina, monóxido de carbono, metais pesados e substâncias cancerígenas do que na fumaça do cigarro. 

Além do tabaco, é colocado carvão em brasa. A queima do carvão produz substâncias cancerígenas, entre elas, o monóxido de carbono, potencializando os riscos para seus consumidores. 

O narguilé contém aditivos aromáticos, em geral, muito agradáveis, que acabam levando jovens a participar de sessões de fumo desse produto, levando-os a se tornarem dependentes de nicotina, e futuros consumidores de cigarros.

“O narguilé engana, dando a sensação de que as impurezas do tabaco são filtradas pela água, o que é um equívoco”, diz o diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini.

De acordo com o pneumologista da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA, Ricardo Henrique Meirelles, uma sessão de narguilé expõe o fumante à inalação de fumaça por um período muito maior do que quando ele fuma um cigarro. O volume de tragadas do narguilé pode chegar a 1.000 ml em uma sessão de uma hora. “Uma simples sessão de narguilé consiste em uma centena de ciclos de tragada. Podemos afirmar que em uma sessão, o fumante inala uma quantidade de fumaça equivalente ao consumo de 100 cigarros ou mais. Quando se aspira pelo tubo, o ar aquecido pelo carvão passa pelo tabaco, produzindo a fumaça que desce, passa pela água, onde é resfriada, e segue pelo tubo até ser aspirada pelo fumante e expirada em seguida”, completa o médico.


Dúvidas e informações



O narguilé não vicia?
Sim, a nicotina extraída do tabaco no narguilé vicia.

A fumaça não é tragada?
Assim como no cigarro, mesmo sem tragar, o fumante inala as substâncias tóxicas, além da grande quantidade de monóxido de carbono proveniente da queima do carvão.

A água reduz os efeitos nocivos do fumo?
A água usada no narguilé absorve apenas 5% da nicotina, fazendo com que os fumantes sejam expostos a quantidades suficientes para que a droga cause dependência. A pessoa acaba fumando por mais tempo e se expondo a maiores quantidades de fumaça, composta por substâncias cancerígenas e gases nocivos.

18/12/2013

[Saúde] O que acontece quando você fuma cigarro?

Fumar faz muito mal. Você conhece as fotos, mas agora vai saber o que acontece dentro do corpo do fumante. O resultado é muito mais feio do que você imagina.


CÂNCER DE PULMÃO
Os sintomas da doença são tosse, catarro, falta de ar e muita dor se o tumor estiver próximo à parede torácica. 20% dos casos são muito agressivos, e tratados com quimioterapia ou radioterapia. Já os outros 80% podem ser operados.



CÂNCER DE LARINGE
O tratamento mais comum para esse câncer é a laringectomia, que obriga o paciente a respirar por uma cânula, como o homem da foto. Os principais sintomas são rouquidão, sangramento e perda da voz.

1. CORPO ESTRANHO
As substâncias cancerígenas do cigarro, como nitrosaminas e benzopireno, entram na corrente sanguínea e alcançam todas as células do nosso corpo.

2. MUITA MUTAÇÃO
O contato das substâncias com os ácidos do DNA pode causar mutações em genes relacionados a proliferação, diferenciação e mortalidade da célula.

3. TUMORES
Se o fumante tiver predisposição a produzir a enzima do citocromo P-450, essas células diferenciadas dão origem a células-filhas mutadas, que formam os tumores.


DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
Faz menos mal fumar do que ficar inalando a fumaça que sai do cigarro. Esse ar tem 3 vezes mais nicotina, de 3 a 8 vezes mais monóxido de carbono e 47 vezes mais amônia do que o que entra no corpo do fumante passando pelo filtro.

PNEUMONIA
Para se defender do cigarro, o pulmão produz muito muco, o que exige toda sua capacidade imunológica. As secreções, então, viram um prato cheio para bactérias, como a Streptococcus pneumoniae, principal causadora da pneumonia.

SINUSITE
As glicoproteínas presentes no cigarro inflamam as mucosas da face. São as alterações na produção de muco que levam a infecções e provocam a dor típica da doença.

ASMA
A acetona do cigarro inflama os brônquios. Para evitar que mais substâncias tóxicas invadam o corpo, o pulmão aciona um mecanismo de defesa e diminui o fluxo de ar. Daí surge a crise asmática e a sensação de sufocamento.



NECROSE
A falta de oxigênio leva à necrose. O aspecto mumificado da perna ao lado é a solução encontrada pelo organismo para os tecidos necrosados não infeccionarem.

GANGRENA
Quando os problemas de oxigenização acontecem em lugares periféricos do corpo, como pés e mãos, às vezes a amputação é a única solução possível.

CARBONO DEMAIS
O monóxido de carbono liberado pela fumaça tem afinidade química 250 vezes maior para se ligar à hemoglobina do que o oxigênio. Com isso, todos os órgãos têm sua oxigenação prejudicada.


APERTADINHO
A nicotina inflama o endotélio, a parede interna dos vasos, e estimula a produção de catecolaminas – substâncias liberadas no sistema nervoso simpático que estreitam as veias e artérias. Ou seja, a passagem do sangue fica bem complicada.

PLAQUETADA
O cigarro desregula as plaquetas, o que ao mesmo tempo leva à formação de trombos e facilita a formação de coágulos. Ambos podem levar ao entupimento dos vasos e impedem o fornecimento de oxigênio.


ABORTO ESPONTÂNEO
O tabaco é responsável por 70% dos casos de aborto espontâneo. O embrião sem oxigênio sofre de má nutrição e vai enfraquecendo, até morrer de uma espécie de falência geral.

BEBÊ PREMATURO
Se a gravidez for levada até o fim, o bebê pode nascer com baixo peso ou com imaturidade pulmonar, o chamado “bebê chiador”, com problemas respiratórios como a bronquite.

FOME
Quando falta oxigênio no sangue da mãe, o feto é quem mais sofre. Além de levar à má nutrição, o carbono no sangue pode provocar o descolamento da placenta.


IMPOTÊNCIA
Para que a ereção ocorra, é necessário um intenso fluxo sanguíneo na região peniana – o que a nicotina não permite. A boa notícia é que isso só acontece a longo prazo, e depende da vulnerabilidade de cada um.


MUITO VISCOSO
O corpo percebe a baixa concentração de oxigênio e começa a produzir mais hemácias. Isso deixa o sangue mais viscoso e dificulta a circulação dentro do pênis.

SEM SANGUE
Normalmente, os vasos se dilatam e enchem os corpos cavernosos do pênis de sangue. Com as veias obstruídas por causa do cigarro, não há o que o levante.

(Fontes: Ana Cecilia Marques, do Departamento de Dependência da Associação Brasileira de Psiquiatria; Ana Terezinha Guillaumon, professora de medicina da Unicamp; Jaqueline Scholz, diretora do Núcleo Antitabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo; Maria Aparecida Koike Folgueira, da Área de Oncologia da Faculdade de Medicina da USP; Ricardo Meirelles, pneumologista do Instituto Nacional do Câncer)

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