Frase do dia

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18/10/2012

[Poema] O verbo no infinito



Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar 
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...


(Vinicius de Moraes)

11/09/2012

[Poema] Chuva


Chuva, caindo tão mansa, 
Na paisagem do momento, 
Trazes mais esta lembrança 
De profundo isolamento. 

Chuva, caindo em silêncio 
Na tarde, sem claridade... 
A meu sonhar d'hoje, vence-o 
Uma infinita saudade. 

Chuva, caindo tão mansa, 
Em branda serenidade. 
Hoje minh'alma descansa. 
— Que perfeita intimidade!... 


(Francisco Bugalho, in "Paisagem")

12/08/2012

[Poema] Tristeza do Infinito














Anda em mim, soturnamente, 
uma tristeza ociosa, 
sem objetivo, latente, 
vaga, indecisa, medrosa. 

Como ave torva e sem rumo, 
ondula, vagueia, oscila 
e sobe em nuvens de fumo 
e na minh'alma se asila. 

Uma tristeza que eu, mudo, 
fico nela meditando 
e meditando, por tudo 
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde, 
de não sei quando nem como... 
flor mortal, que dentro esconde 
sementes de um mago pomo. 

Dessas tristezas incertas, 
esparsas, indefinidas... 
como almas vagas, desertas 
no rumo eterno das vidas. 




Tristeza sem causa forte, 
diversa de outras tristezas, 
nem da vida nem da morte 
gerada nas correntezas... 

Tristeza de outros espaços, 
de outros céus, de outras esferas, 
de outros límpidos abraços, 
de outras castas primaveras. 

Dessas tristezas que vagam 
com volúpias tão sombrias 
que as nossas almas alagam 
de estranhas melancolias. 

Dessas tristezas sem fundo, 
sem origens prolongadas, 
sem saudades deste mundo, 
sem noites, sem alvoradas. 

Que principiam no sonho 
e acabam na Realidade, 
através do mar tristonho 
desta absurda Imensidade. 

Certa tristeza indizível, 
abstrata, como se fosse 
a grande alma do Sensível 
magoada, mística, doce. 

Ah! tristeza imponderável, 
abismo, mistério, aflito, 
torturante, formidável... 
ah! tristeza do Infinito!



(Cruz e Souza)

04/02/2012

[Poema] Infinito Complexo


Infinito tão complexo,
De calma e estranha beleza.
Verdades agindo sem nexo,
Com elevada pureza.

Alma passeia complexa,
No espaço quase infinito.
A vida está anexa
Ao universo indescrito.

Calor do sol chega e fere,
Em tamanha escala,
Todo o ser que adere
E denso fluído exala.

Atividade caótica,
Complexa e infinita.
Fugindo da nossa óptica,
Perpassando toda a vida.

Detalhes sempre evitados,
Num cotidiano raso.
Sentimentos acelerados
E infelizes nesse caso.

Na boca causadora da morte,
Nos olhos causadores da luz.
Que todo esse infinito aporte,
Ao centro de uma simples cruz.

Areia de cristais envelhecidos,
Água causadora de tantas vidas.
Nos corpos são tão bem acrescidos,
De complexidades pré-existidas.

Absorvendo a latência do sol
E do cosmos estranho e sem fim.
Linha do tempo em caracol,
Acumulando destinos em mim!

(Luis Valério Prandel)

04/06/2011

[...] Infinito raso


Posso passar por ali, e não ver o fundo da alma acoplada no braço de uma pedra...

O que importa se não há braços para abraçar a nuvem, se não há chão para acalentar a alma e não há céu para assistir o corpo?

O vazio não conquista uma estrutura recíproca, porque o infinito não tem vez diante de sentimentos acabados e de amores desrelacionados...

Alma que no fundo lembra a pedra e abraça o céu, não acalenta o corpo, pois o vazio não causa o infinito dos amores...


(Luis Valério Prandel)

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