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08/01/2016

[Cinema] 15 curiosidades sobre o filme Laranja Mecânica

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) é um filme de 1971 escrito, produzido e dirigido por Stanley Kubrick, adaptado do romance de Anthony Burgess de 1962 com o mesmo nome. O filme ainda foi o longa com maior bilheteria da Warner, mesmo com a censura para maiores de 18 anos.  Emprega imagens violentas e perturbadoras que estão relacionadas à psiquiatria, delinquência juvenil, gangues de jovens e outros assuntos sociais, políticos e econômicos em uma Inglaterra futurista.

Nesta postagem serão citadas 15 curiosidades sobre esse filme que foi considerado um clássico dos anos 70:


(1ª) 
O filme foi massacrado por críticos importantes (como Pauline Kael e Roger Ebert) e foi atacado por “promover a violência”. Em consequência disso, como sinal de protesto, Stanley Kubrick decidiu impedir a exibição do filme de 1973 a 1999 (ano de sua morte). Durante muito tempo, os britânicos assistiram ao filme através de VHS’s importadas de outros países.


(2ª)
Stanley Kubrick certa vez declarou que, se não pudesse contar com Malcolm McDowell, provavelmente não teria feito Laranja Mecânica.



(3ª)
A linguagem utilizada por Alex, o Nadsat, foi inventada pelo autor Anthony Burgess, que misturou palavras em inglês, em russo e gírias.



(4ª)
Stanley Kubrick se aventurou por vários gêneros no cinema. Fez de ficção científica (2001)  a filme de época (Barry Lindon), passando pelo deboche nuclear (Doutor Estranho) e pela distopia de Laranja Mecânica. Mesmo com toda a diferença, uma coisa há em comum entre a produção desses filmes: todos são cercados de curiosidades e improviso do diretor e seus atores.


(5ª)
Desesperado por dinheiro, Anthony Burgess vendeu os direitos de adaptação ao cinema de Laranja Mecânica para Mick Jagger por apenas US$ 500,00. O músico planejava fazer o filme tendo os Rolling Stones como os droogs, mas acabou revendendo os direitos por uma quantia muito maior.


(6ª) 
O Korova Milk Bar foi o único set construído especialmente para o filme. Foi batizado pela palavra russa para vaca e suas esculturas foram baseadas no trabalho do escultor Allen Jones (uma as pinturas da parede apareceria novamente em O Iluminado, 1980). Stanley Kubrick fez com que os dispensers de leite fossem esvaziados, lavados e reabastecidos a cada hora, pois o leite coalhava sob as luzes do estúdio.



(7ª) 
Alex cantar "Singing in the Rain" enquanto ataca o escritor e sua esposa não estava no roteiro. Kubrick passou quatro dias experimentando com a cena, pois a julgava muito convencional. Eventualmente, pediu a Malcolm McDowell se ele poderia dançar. Eles fizeram a cena novamente, desta vez com McDowell cantando e dançando a única música que ele conseguira lembrar na hora. Kubrick ficou tão impressionado que logo comprou os direitos do tema de Cantando na Chuva por US$ 10 mil. Quando McDowell encontrou Gene Kelly, anos depois, em uma festa, o ator veterano se retirou indignado. Kelly teria ficado profundamente decepcionado com a forma como sua versão de "Singing in the Rain" foi usada em Laranja Mecânica.



(8ª)
Basil, a cobra, foi colocada nas filmagens após o diretor Stanley Kubrick descobrir que Malcolm McDowell tinha medo dela.


(9ª)
Kubrick pediu ao Pink Floyd para usar "Atom Heart Mother", faixa que abre o álbum homônimo da banda, na trilha sonora. Porém, como o diretor queria uso ilimitado da composição, a banda rejeitou a proposta. Quando Alex visita a loja de discos, é possível ver nas prateleiras a trilha de 2001 - Uma Odisseia no Espaço e Atom Heart Mother. Outros discos visíveis na loja são Lorca (Tim Buckley), As Your Mind Flies (Rare Bird), Deja Vu (Crosby, Stills, Nash & Young), The Transfiguration Of Blind Joe Death (John Fahey), Magical Mystery Tour (The Beatles), After The Goldrush (Neil Young), The Chicago Transit Authority (Chicago) e In The Summertime (Mungo Jerry).


(10ª) 
O médico que acompanha Alex enquanto ele é forçado a assistir filmes violentos (tratamento "Ludovico") é um médico de verdade, presente para assegurar que os olhos de McDowell não secassem. Seus olhos foram anestesiados para que as cenas de tortura fossem filmadas sem tanto desconforto. Ainda sim, suas córneas foram arranhadas pelos grampos de metal e ele ficou sem enxergar por um tempo. Malcolm voltou a se dar mal na cena que seus ex-companheiros tentam afogá-lo.


(11ª)
Enquanto gravava a narração em off do filme, em um simples gravador operado pelo próprio Kubrick, Malcolm McDowell precisava de paradas de descanso. Para satisfazer o ator, e possivelmente para tentar conseguir uma narração melhor, Kubrick e McDowell jogavam tênis de mesa. O ator depois descobriria que as horas passadas entre as partidas, das quais Kubrick nunca saiu como vencedor, foram descontadas do seu salário.


(12ª) 
O primeiro corte do filme tinha quatro horas de duração. Mais tarde, Kubrick mandou seu assistente destruir todo o material descartado.









(13ª)
No Brasil, o filme entrou na lista de obras proibidas pela censura, fazendo com que os amantes do cinema fossem assistir o Laranja Mecânica em países vizinhos, como o Uruguai. Quando foi liberado, só conseguiu ser exibido nas salas com ridículas bolinhas pretas sobrepostas nas cenas de nudez (mesmo com classificação para maiores de 18 anos).


 (14ª)
O livro em que Frank Alexander trabalhava quando Alex e sua gangue invade sua casa chamava-se "A clockwork orange".



(15ª)
Stanley Kubrick propositalmente cometeu alguns erros de continuidade em Laranja Mecânica. Os pratos em cima da mesa trocam de posição e o nível de vinho nas garrafas muda em diversas tomadas, com a intenção de causar desorientação ao espectador.


Outras cenas curiosas e marcantes do filme (em ordem cronológica): 













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09/04/2013

[Cinema e Psicologia] Psicologia Behaviorista e o filme "Laranja Mecânica"


O que significa o título “Laranja Mecânica”? Ao pé da letra, o título original (Clockwork Orange), significa “Laranja com Mecanismo de Relógio”. O título alude, pois a um “mecanismo de relógio” - clockwork – algo que nos remonta a uma visão mecânica, artificial, robótica, programável. Orange – laranja, nos leva, particularmente, a ver semelhança, no inglês, com a palavra “orang – utan“, ou seja, um macaco (no caso alaranjado, mesmo), uma criatura, um animal. No final das contas, seria uma alusão ao procedimento behaviorista utilizado pelos cientistas do filme para reintegrar à sociedade o jovem Alex, considerado como um “animal” e, por isso mesmo, “domesticável”.

O Laranja Mecânica, produzido em 1971, ficou proibido em vários países. No Brasil, só foi liberado pela Censura em 1978. Baseado no romance homônimo de Anthony Burguess é, de fato, um filme perfeito. Tudo nele se encaixa com perfeição – cenários, locações, figurinos, atores, fotografia e música – para criar um ambiente aparentemente distante do nosso, um mundo caótico e sombrio em que Alex, um jovem inglês que lidera um grupo de delinquentes, sai pelas madrugadas usando alucinógenos, espancando mendigos idosos e violentando mulheres, entre outros desatinos. Tudo em clima de pura diversão e sarcasmo.

Numa de suas investidas, o bando comete um homicídio, o que leva o líder Alex para uma casa de detenção. Condenado a catorze anos de prisão pela morte de uma mulher, o jovem esquiva-se do assédio de homossexuais e da violência dos outros prisioneiros. Para conseguir um melhor tratamento, auxilia o capelão do presídio nas atividades religiosas. Ao saber que está sendo utilizado um novo método “Método Ludovico”, de recuperação de prisioneiros que garante a liberdade imediata, Alex candidata-se de imediato, contra a vontade do capelão e do diretor do presídio. Tratando assim o mais puro behaviorismo, que consiste em “condicionar” o paciente a rejeitar todo comportamento “anormal”. Alex é colocado num palco onde se obrigam a assistir filminhos com cenas de violência inegável. Mas antes dessas sessões cinematográficas, injetam-lhe um medicamento que lhe provoca insuportável náusea. Associando as cenas ao mal-estar físico, ele neutraliza sua agressividade natural e se transforma num “cidadão modelo”. (O fundamento desse programa é a teoria do condicionamento, elaborada pelo fisiologista russo I. Pavlov no início do século XX e desenvolvida mais tarde por J. B. Watson e B. F. Skinner, psicólogos norte-americanos que criaram o paradigma comportamentalista na Psicologia.).

Em A Laranja Mecânica temos um excelente exemplo de como utilizar certos conhecimentos da Psicologia para o exercício do controle social.

Análise

O diretor Stanley Kubrick retrata um mundo futurista, onde uma gangue aterroriza a sociedade, com vandalismo, brigas com outras gangues, estupro e outros crimes.
O líder da gangue (Alex) é preso, e através de um programa de condicionamento, volta às ruas modificado. Quando pensa ou tenta algum ato violento, o seu organismo reage com crises de pânico, vômito, tontura. Esse condicionamento foi realizado através de sugestões visuais, onde ele assistia a cenas de violência sem sequer poder piscar os olhos, que se mantinham abertos à força, sendo molhados com colírio.
Em seu retorno à sociedade, ele encontra todas as suas vítimas, que se vingam dele, que não consegue reagir por causa do seu condicionamento. É espancado por um de seus ex-colegas que se tornou policial e, em seu caminho, cruza com um senhor que ficou paralítico e que teve a esposa estuprada e morta ao serem agredidos por ele. Esse senhor o reconhece somente quando ele está na banheira e canta uma música, a mesma que ele cantou quando o estava agredindo. Como as outras vítimas, vinga-se, mandando um empregado agredi-lo.
Depois de passar por todos os percalços, Alex volta ao seu estado normal através de uma cirurgia no cérebro, pelas mãos de um congressista que quer utilizá-lo como vítima do sistema para sua campanha eleitoral. Tem então, “lindas visões”, recheadas de violência e morte.

1. O controle do comportamento social é feito através da técnica Ludovico que, com princípios psicológicos behavioristas de condicionamento, introduz em Alex o mal-estar físico ligado a qualquer comportamento violento.

2. Como na caixa de Skinner, Alex vincula o seu sofrimento físico a atos de violência introduzidos através de vídeos que ele assistiu exaustivamente, sem ao menos poder fechar os olhos. Esse tipo de condicionamento – ou técnica behaviorista –, relacionando um efeito (seu mal-estar) a uma causa (violência), se faz presente através da teoria comportamental. Seu comportamento é moldado de acordo com os propósitos de outrem.


(Autor do texto: Raquel Vieira de Oliveira)

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