Quando te vi passar fiquei paralisado Tremi até o chão como um terremoto no Japão Um vento, um tufão Uma batedeira sem botão Foi assim viu Me vi na sua mão
Perdi a hora de voltar para o trabalho Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei Mil coisas eu deixei Só pra te falar Largo tudo
Se a gente se casar domingo Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar Num avião a decolar Indo sem data pra voltar Toda de branco no altar Quem vai sorrir? Quem vai chorar? Ave maria, sei que há Uma história pra sonhar Pra sonhar
O que era sonho se tornou realidade De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem, Nossa Jerusalém, Nosso mundo, nosso carrossel Vai e vem vai E não para nunca mais
De tanto não parar a gente chegou lá Do outro lado da montanha onde tudo começou Quando sua voz falou: Pra onde você quiser eu vou Largo tudo
Se a gente se casar domingo Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar Num avião a decolar Indo sem data pra voltar Toda de branco no altar Quem vai sorrir? Quem vai chorar? Ave-Maria, sei que há Uma história pra contar
Domingo Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar Num avião a decolar Indo sem data pra voltar Toda de branco no altar Quem vai sorrir? Quem vai chorar? Ave-Maria, sei que há Uma história pra contar Pra contar
Não pode o poema circunscrever o medo, dar-lhe o rosto glorioso de uma fábula ou crer intensamente na sua aura. Nós permanecemos, quando escurece à nossa volta o frio do esquecimento e dura o vento e uma nuvem leve a separar-se das brumas nos começa a noite.
Não pode o poema quase nada. A alguns inspira uma discreta repugnância. Outras vezes inclinamo-nos, reverentes, ante os epitáfios ou demoramo-nos a escutar as grandes chuvas sobre a terra. Quem reconhece a poesia, esse frio intermitente, essa persistência através da corrupção? Quase sempre a angústia instaura a luz por dentro das palavras e lhes rouba os sentidos. Quase sempre é o medo que nos conduz à poesia.
(2)
Voltando ao medo: as asas prendem mais do que libertam; os pássaros percorrem necessariamente os mesmos caminhos no espaço, sem possibilidades de variação que não estejam certas com esse mesmo voo que sempre descrevem. Voltando ao medo: o poema
desenha uma elipse em redor da tua voz e cerca-se de angústia e ervas bravias — nada mais pode fazer.
(Luis Filipe Castro Mendes, em "A Ilha dos Mortos")
As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d’escuma revolvem-se nus!
E quando, de noite, vem pálida a lua Seus raios incertos tremer, pratear... E a trança luzente da nuvem flutua... As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham... e o vento dos céus Vem tépido, à noite, nos seios beijar!... São meigos anjinhos, são filhos de Deus, Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram, São puros fervores de ventos e mar... São beijos que queimam... e as noites deliram E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor Os ventos e vagas gemer, palpitar... Por que não consentes, num beijo de amor, Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar
Quando a nossa vã filosofia de não aprender a aceitar as coisas da maneira que elas são e de não tentar mudar aquilo que pode e deve ser mudado ocorre, podemos ser comparados com nossos antepassados não-civilizados que não viviam, mas sobreviviam mediante seus instintos.
A falta ou não-falta de aprendizagem, aceitação e mudança geram perguntas e mais perguntas que não querem calar..., e como é dito por aí que "não são as respostas que movem o mundo e sim as perguntas"... Então analisemos tantas perguntas: algumas bem respondidas e muitas não. São perguntas que ficam vagando sem respostas ao longo da história, perguntas mal formuladas e até perguntas sem nenhum tipo de fundamento, ou seja, perguntadas por perguntar.
Com estes tipos de perguntas, que são jogadas ao vento, sem fundamento, fazem com que o mundo não desenvolva. Nosso mundo é civilizado ou aparentemente civilizado?