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16/09/2012

[Poema] Noturno


Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?


(Ariano Suassuna)

18/06/2011

[Poema] Consequência

Mergulha no mar da ilusão
Em um clima de plena paixão
A Solidão está quase morta
Por sombras projetadas nas costas
Imaturidade consequente
Desejos que invadem a mente


O chão já não é mais tal lugar

É um doce e simples planar
Com asas e pernas restauradas
A serem justamente quebradas
Com mover duma total angústia
Bem carnal, tão profunda e rústica

A imperfeição latente
Lágrimas doces
Risos amargos
Aceleram na tangente

(Luis Valério Prandel)

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