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16/07/2021

[Física] Quem chega ao chão primeiro?

O senso comum diz que, se dois objetos de massas diferentes forem abandonados da mesma altura, aquele que for mais pesado chegará ao chão primeiro. Esse foi o pensamento do filósofo Aristóteles. A comprovação do erro do ilustre pensador só veio séculos depois com as contribuições de Galileu Galilei.

As leis do movimento vertical de objetos mostram que o tempo de queda independe da massa dos corpos. Assim, se uma bola de boliche e uma pena de galinha forem abandonadas do mesmo ponto, ambas chegarão juntas ao solo. É claro que essa verificação só é possível se a resistência do ar for desprezada. Veja o experimento a seguir:



Fonte: Brasil Escola


21/11/2012

[Filosofia] O Entendimento Humano


"Dizer que há verdades impressas na alma, que a alma não apercebe ou não entende, é, parece-me, uma espécie de contradição, pois a ação de imprimir não designa outra coisa senão fazer aperceber certas verdades. (...) Dizer que uma noção está gravada na alma e sustentar ao mesmo tempo que a alma não a a conhece e que não teve ainda nenhum conhecimento dela, é fazer desta impressão um puro nada. Não se pode de todo assegurar que uma certa proposição esteja no espírito , quando o espírito ainda não a apercebeu nem descobriu nenhuma ideia em si próprio. (...) E assim esta grande  questão reduzir-se-á unicamente a dizer que aqueles que falam de princípios inatos falam muito impropriamente; mas que no fundo eles creem na mesma coisa que os que negam que os haja; porque não penso que alguém tenha alguma vez negado que a alma fosse capaz de conhecer várias verdades. É esta capacidade, diz-se, que é inata; e é o conhecimento de tal ou tal verdade que se deve chamar adquirida. Mas se é isso tudo o que se pretende, para quê o entusiasmo em manter que há certas máximas inatas ? (...)

Admitamos, pois, que, na origem, a alma é como que uma tábua rasa, sem quaisquer caracteres, vazia de qualquer ideia. Como é que adquire ideias? Por que meio recebe essa imensa quantidade que a imaginação do homem, sempre ativa e ilimitada, lhe apresenta com uma variedade quase infinita? Aonde vai ela buscar todos esses materiais que fundamentam os seus raciocínios e os seus conhecimentos? Respondo com uma palavra: à experiência. É essa a base de todos os nossos conhecimentos e é nela que assenta a sua origem. As observações que fazemos no que se refere a objetos exteriores e sensíveis ou as que dizem respeito às operações interiores da nossa alma, que nós apercebemos e sobre as quais reflectimos, dão ao espírito os materiais dos seus pensamentos. São essas as duas fontes em que se baseiam todas as ideias que, de um ponto de vista natural, possuímos ou podemos vir a possuir.

E primeiramente, sendo os sentidos excitados por certos objetos exteriores, fazem entrar na alma várias percepções distintas das coisas, segundo as diversas maneiras por que estes objetos agem sobre os nossos sentidos. É assim que adquirimos as ideias que temos do branco, do amarelo, do quente, do frio, do duro, do mole, do doce, do amargo, e de tudo o que denominamos qualidades sensíveis. Direi que os nossos sentidos fazem entrar todas estas ideias na nossa alma, pelo que me parece que eles fazem entrar objetos exteriores na lama, o que produz nela estas espécies de percepções. E como esta grande fonte da maior parte das ideias que nós temos depende inteiramente dos sentidos e por meio deles se comunica ao entendimento, chamo-a sensação.

A outra fonte de que o entendimento vem a receber ideias  é a percepção das operações da nossa alma sobre as ideias que recebeu dos sentidos: operações que, tornando-se o objeto das reflexões da alma, produzem no entendimento uma outra espécie de ideias, que os objetos exteriores não poderiam ter-lhe fornecido : tais são as ideias do que chamamos aperceber, pensar, duvidar, crer, raciocinar, conhecer, querer e todas as diferentes ações da alma. (...) Chamarei a esta fonte [do nosso conhecimento] reflexão, porque por seu intermédio a alma não recebe senão as ideias que adquire refletindo sobre as suas próprias operações.

O entendimento não me parece ter absolutamente nenhuma ideia que lhe não venha de uma destas duas fontes (...), embora talvez combinadas e aumentadas pelo entendimento, com uma variedade infinita."

(John Locke in "Ensaio sobre o Entendimento Humano")

30/04/2012

[Filosofia] O "movimento" segundo Henri Bergson

A filosofia de Henri Bergson (1859-1941) volta a dar importância ao movimento interno de um ser e como ele concebe em sua consciência os movimentos observados. Tudo isso foi desconsiderado pela maior parte dos filósofos do determinismo. E segundo ele, o método científico que se utiliza de símbolos matemáticos é importante para se investigar um objeto no espaço de uma maneira relativa e de certa forma ilusória, pois acreditamos que o conhecemos por completo. Podemos conhecer o ser internamente mediante a metafísica e desta forma chegar a um absoluto:

(...) Seja, por exemplo, o movimento de um objeto no espaço. Eu percebo de maneira diferente conforme o ponto de vista, móvel ou imóvel, donde o observo. Eu o exprimo diferentemente, conforme o sistema de eixos ou de pontos de referência aos quais o relaciono, isto é, conforme os símbolos pelos quais o traduzo. E o chamo relativo por esta dupla razão: tanto num caso como o outro, coloco-me de fora do próprio objeto. Quando falo de um movimento absoluto, é que atribuo ao móvel um interior e como que estados de alma, é também, porque simpatizo com os estados e me insiro neles por um esforço de imaginação  (...) Em suma, o movimento não será mais apreendido de fora e, de alguma forma, a partir de mim, mas sim de dentro, nele mesmo, em si. Eu possuiria um absoluto. (BERGSON, 1984, p.13).


(...) A ciência positiva se dirige à observação sensível. Ela obtém assim materiais cuja elaboração confia à faculdade de abstrair e de generalizar, ao juízo e ao raciocínio, à inteligência (...) Ela prende-se ao que há de físico-químico nos fenômenos da vida mais do que ao que é propriamente vital no vivente. Mas seu embaraço é grande quando chega ao espírito. Isto não quer dizer que ela não possa obter aí algum conhecimento; mas este conhecimento torna-se tanto mais vago quanto mais ela se distancia da fronteira comum ao espírito e à matéria. (Bergson, 2006, p. 117).


(...) A maior parte do tempo, vivemos exteriormente a nós mesmos, não percepcionamos do nosso eu senão o seu fantasma descolorido, sombra que a pura duração projeta o espaço homogêneo. A nossa existência desenrola, portanto, mais no espaço do que no tempo: vivemos mais para o mundo exterior do que para nós; falamos mais do que pensamos; ‘somos agidos’ mais do que agimos. Agir livremente é retomar a posse de si, é situar-se na pura duração”. (Bergson, 1988, p. 159).

Fontes:
BERGSON, Henri. Introdução à Metafísica. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural. 1984, 238 p.
______ Ensaio Sobre os Dados Imediatos da Consciência. Lisboa: Edições 70. 1988, 164 p.
______ O Pensamento e o Movente. São Paulo: Martins Fontes. 2006, 304 p. 

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