Frase do dia

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26/03/2022

[Poema] A Ideia


De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

(Augusto dos Anjos) 

19/10/2013

[Poema] Para viver um grande amor


Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há de fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor

Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?

Para viver um grande amor, é muito

Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há de ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!



Vinícius de Moraes

14/11/2012

[Poema] Lástima



Tendo em vista um longo processo da pena de morte,
Por uma vida dilacerada de extrema violência,
Fatal consequência de tão natural e justo aporte,
A desenvolver-se na mente total insanidade.
Os dias foram pesados e as noites inacabáveis,
De tantos ciclos assintóticos e irrevogáveis,
Permearam o ser do início da vida ao fim da morte.
Má sorte lançada em suas decisões equivocadas,
Decisões errôneas com parâmetros exacerbados,
Lamentos e alentos constantes previamente notados.
De um turbilhão de sentimentos deploráveis, 
Restaram apenas moldes de sangue coagulados,
Acumulados no âmago daquela fria alma,
Se pudesse voltar atrás talvez notaria, a calma...

(Luis Valério Prandel)

04/11/2012

[Poema] Desejos


Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


(Carlos Drummond de Andrade)

19/10/2012

[Poema] Lux




Lux at non tamen tropica lux fervida
quam mox denuntiat arboretum roscidum
in eam erigendo ramos avidos;

aut illa quae lux penetrans et rutila
cum transit per crystallum reddit fulgida laudata a Creatore prima lumina;

nec illa vero lux quarn mavult intuens
is cui aut caeli color est spectaculum
aut guri fulgor aut regalis purpurae;

haud tandem lux qua pulchri fiunt oculi
amore lucidi, oculi sirenii, in gurgite refluentes claro vortice,

sed altioris temporis lux alia
quae tantum per imaginem ostenditur
vetere e mundo novas movit animas
novae regionis huius ad indagines.


(José Lourenço de Oliveira, in Mons Vivus) 

18/10/2012

[Poema] O verbo no infinito



Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar 
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...


(Vinicius de Moraes)

30/09/2012

[Poema] Como eu te amo


Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá no extremo do horizonte aponta;

Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite a mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vai e vem a nau flutua;

Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;

Como se ama o crepúsculo da aurora,
O manso vento que nos bosques rondeia,
O sussurro da fonte que passeia,
Uma imagem risonha e sedutora;

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncios e cores, perfumes e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus.

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-te os lábio meus, - mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em tí. - Por tudo quanto sofro,
Por quando já sofri, por quanto ainda
Me resta sofrer, por tudo eu te amo!

(Gonçalves Dias)

16/09/2012

[Poema] Noturno


Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?


(Ariano Suassuna)

14/09/2012

[Poema] Os buracos no espelho


o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora


(Arnaldo Antunes)

04/09/2012

[Poema] Hino ao sol



Sol!
Divina
Oficina
Da luz! Crisol
Claro, onde se apura
O ouro ideal que fulgura
No céu, de brilho imortal!
Sol! Alquimista universal;
Químico eterno que, em áureo vaso,
Combina pela aurora e pelo ocaso
Cores e vapores pelos céus de anil;
Ourives da ilusão, da vida e da beleza,
De jóias adornando a virgem – natureza;
Gênio da arte excelsa que com o teu buril
Crias a perfeição em toda parte;
Mestre supremo dos deuses da arte,
Guia e protege o artista êxul
Que, ante o ouro fosco do Azul,
Uma só glória aspira:
Fundir sua lira,
Pelo arrebol,
Ao teu hino,
Divino
Sol!



(Da Costa e Silva in "Poesias Completas")

20/08/2012

[Poema] Bem aqui







Que a brisa leve dos teus olhos leve o aroma da felicidade 
E o sabor dos teus beijos destruam cada desejo tornado vão, 
Que afetam a pureza do ser e causam tamanha dor ao meu coração. 
Pois, minha vida é dosada por gotas, ora de paixão, ora de dor, 
As quais aceleram o sangue e causam corrosão no decorrer da saudade! 
Consequentemente existe algo armazenado em meu peito e por tal efeito, 
Ousei de maneira constante e contundente, batizá-lo de "amor". 
Talvez eu seja bem confuso e panoramicamente equivocado, 
De sentimentos estranhos, atitudes reversas e opiniões indeléveis. 
Diante de toda a palavra, pronunciada na boca ou na mente, 
Que ao longo do curto tempo de toda minha vida é concretizada. 
Tudo isso traz humores oscilatórios, vazios transitórios, 
Os quais atravessam o corpo e tornam a alma desobediente. 
Posso simultaneamente ver e não ver o que foi transformado, 
De criação a aniquilação de sentimentos meu ser é baseado. 
Em meio a esses sentimentos manifesta o amor pela vida, 
Do qual os sonhos são alimentados e o sol volta a brilhar no hoje, 
E, por fim, permanecem aqui: nem tão perto, nem tão longe!


 (Luis Valério Prandel)

12/08/2012

[Poema] Tristeza do Infinito














Anda em mim, soturnamente, 
uma tristeza ociosa, 
sem objetivo, latente, 
vaga, indecisa, medrosa. 

Como ave torva e sem rumo, 
ondula, vagueia, oscila 
e sobe em nuvens de fumo 
e na minh'alma se asila. 

Uma tristeza que eu, mudo, 
fico nela meditando 
e meditando, por tudo 
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde, 
de não sei quando nem como... 
flor mortal, que dentro esconde 
sementes de um mago pomo. 

Dessas tristezas incertas, 
esparsas, indefinidas... 
como almas vagas, desertas 
no rumo eterno das vidas. 




Tristeza sem causa forte, 
diversa de outras tristezas, 
nem da vida nem da morte 
gerada nas correntezas... 

Tristeza de outros espaços, 
de outros céus, de outras esferas, 
de outros límpidos abraços, 
de outras castas primaveras. 

Dessas tristezas que vagam 
com volúpias tão sombrias 
que as nossas almas alagam 
de estranhas melancolias. 

Dessas tristezas sem fundo, 
sem origens prolongadas, 
sem saudades deste mundo, 
sem noites, sem alvoradas. 

Que principiam no sonho 
e acabam na Realidade, 
através do mar tristonho 
desta absurda Imensidade. 

Certa tristeza indizível, 
abstrata, como se fosse 
a grande alma do Sensível 
magoada, mística, doce. 

Ah! tristeza imponderável, 
abismo, mistério, aflito, 
torturante, formidável... 
ah! tristeza do Infinito!



(Cruz e Souza)

11/08/2012

[Poema] O meu nirvana


No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéa Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas —

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!

(Augusto dos Anjos)

03/08/2012

[Poema] Poema de Camões




Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.


Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.


Brado: - Não me fujais, sombra benina!
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,


Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina...
Antes que diga: - mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.


(Luís Vaz de Camões)

15/07/2012

[Poema] Soneto do amor noturno da alma



Tardia noite clara e serena
Leva toda a dor do amor embora
Torna a emoção frágil e pequena
Consome a lágrima de quem chora

Um som reverbera lá do fundo,
Sensações iluminam o olhar.
Quem me dera ouvir o profundo
Dum'alma constante a cintilar. 

Aromas são dispersos na noite
E das lágrimas, doce açoite
Vai brilhando as feridas abertas

Espectros causando ruídos
De sentimentos tão ressentidos
Por caminhadas longas e incertas 


(Luis Valério Prandel - 29/06/2012)

30/04/2012

[Poema] Do Medo


(1)


Não pode o poema 
circunscrever o medo, 
dar-lhe o rosto glorioso 
de uma fábula 
ou crer intensamente na sua aura. 
Nós permanecemos, quando 
escurece à nossa volta o frio 
do esquecimento 
e dura o vento e uma nuvem leve 
a separar-se das brumas 
nos começa a noite. 


Não pode o poema 
quase nada. A alguns inspira 
uma discreta repugnância. 
Outras vezes inclinamo-nos, reverentes, ante os epitáfios 
ou demoramo-nos a escutar as grandes chuvas 
sobre a terra. 
Quem reconhece a poesia, esse frio 
intermitente, essa 
persistência através da corrupção? 
Quase sempre a angústia 
instaura a luz por dentro das palavras 
e lhes rouba os sentidos. 
Quase sempre é o medo 
que nos conduz à poesia. 


(2) 


Voltando ao medo: as asas 
prendem mais do que libertam; 
os pássaros percorrem necessariamente 
os mesmos caminhos no espaço, 
sem possibilidades de variação 
que não estejam certas com esse mesmo voo 
que sempre descrevem. 
Voltando ao medo: o poema 


desenha uma elipse em redor da tua voz 
e cerca-se de angústia 
e ervas bravias — nada mais 
pode fazer. 


(Luis Filipe Castro Mendes, em "A Ilha dos Mortos")

21/04/2012

[Poema] Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.


(Fernando Pessoa)

14/04/2012

[Poema] Ai de quem ama


Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida


Amar é triste
O que é que existe?
O amor


Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade


Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus


(Vinícius de Moraes)

12/04/2012

[Poema] O lapso talvez relapso


Pintura de Vincent van Gogh (1853-1890)
Tentei mastigar a pedra e o espinho:
Maldito corpo, mal adaptado.
É triste o coração dilacerado,
Sentimentos extirpados no caminho,
Por um antro abiótico e equivocado.


Comprometendo o pulsar amiúde,
Desgastando qualquer ritmo normal,
Martirizando o complexo da saúde
E gerando a retórica marginal.



Achaques evitados anteriormente,
Sugam plasmas de sangue da noss'alma,
São empurrados ao abismo da mente,
Ultrajando a brevidade da calma.


Muitas classes de palavras insólitas,
São pronunciadas randomicamente.
Aquelas ações com ofensas sólidas,
Afetam-nos empiricamente


Não a temo, amarga irmã morte!
Porque está contido em ti,
Todo aquele nosso frágil aporte.


(Luis Valério Prandel)

04/04/2012

[Poema] Amor é síntese

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...


Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.


Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.


(Mário Quintana)

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