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01/04/2017

[Física] Primeira lei de Newton


I - Introdução


Os conceitos de força e massa são usados para analisar os princípios da Dinâmica. Esses princípios podem ser sintetizados em um conjunto de três afirmações claramente estabelecidas pela primeira vez por sir Isaac Newton (1643-1727), em sua obra "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural" (1687) (Fig. 1) conhecidas como as leis de Newton do movimento.

Fig. 1 - Capa da obra "Principia" escrita por Newton.

As leis de Newton não são o produto de derivações matemáticas, mas, antes, uma síntese de experiências aprendidas sobre como os objetos se movem. Estas leis são genuinamente fundamentais, pois não podem ser deduzidas ou demonstradas a partir de outros princípios.

As leis de Newton necessitam de modificações somente em situações que envolvem velocidades muito elevadas (próximas à velocidade da luz) e/ou dimensões muito pequenas (no interior de um átomo).


II - Primeira lei de Newton


Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum, nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare.
(Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.)


Fig 2 - O corpo permaneceu em movimento retilíneo quando os freios da bicicleta foram acionados.


Experiências mostram que quando a força resultante é igual a zero o corpo ou está em repouso ou se move em linha reta com velocidade constante (a aceleração desse corpo é nula).

A tendência de um corpo em permanecer deslocando-se uma vez iniciado o movimento, resulta de uma propriedade denominada inércia.

É relevante notar que na primeira lei de Newton o que importa é conhecer a força resultante, que neste caso é igual a zero, é equivalente a nenhuma força.

Quando não existe nenhuma força atuando sobre um corpo ou quando existem diversas forças como uma soma vetorial (resultante) igual a zero, dizemos que o corpo está em equilíbrio. Para um corpo em equilíbrio,

Equação 1

Para isso ser verdade, cada um dos componentes da força resultante deve ser igual a zero:

Equações 2, 3 e 4.

Estamos supondo que o corpo possa ser representado adequadamente por uma partícula pontual.Quando o corpo possui um tamanho finito, também devemos considerar onde as forças estão sendo aplicadas sobre o corpo. 

A primeira lei é válida apenas para um sistema de referência inercial:

🔻 A Terra pode ser considerada aproximadamente um sistema de referência inercial;
🔻 Um sistema de referência não-inercial pode ser considerado um veículo se movendo com velocidade variável, no qual a pessoa e o corpo suspenso (Fig. 3) sofre uma aceleração em sentido contrário, sendo que a força resultante sobre esses corpos é nula;

Fig. 3 - Exemplo de sistema de referência não inercial (homem dentro de um vagão) e inercial (observador exterior).

🔻 O sistema de referência "vagão", por exemplo, está sendo acelerado em relação ao sistema de referência "Terra", sendo assim, um sistema de referência inadequado para a primeira lei de Newton;
🔻 Há muitos sistema considerados inerciais. Quando temos um sistema de referência inercial A, então qualquer sistema de referência B também será inercial, se ele se move em relação a A com velocidade vB/A constante;
🔻 Usando a relação
Equação 5


🔻 Suponha que P seja um corpo que se move com velocidade constante vP/A em relação a A. Pela primeira lei, a força resultante em relação a P é zero. A velocidade relativa vP/B (em relação a B) possui valor diferente , mas se vB/A é constante, então vP/B também é constante;

🔻 Não há sistema de referência inercial privilegiado.

III - Experimentos




______________
Referência bibliográfica:
- TIPLER, Física, Vol 1,6ª Edição, LTC,2009.
- SERWAY, JEWEET, Princípios de Física, 1ª Edição, Vol 1, Thonson, 2006.
- SEARS, ZEMANSKY, Física, Vol 1,10ª Edição, Pearson, 2003.

30/04/2012

[Filosofia] O "movimento" segundo Henri Bergson

A filosofia de Henri Bergson (1859-1941) volta a dar importância ao movimento interno de um ser e como ele concebe em sua consciência os movimentos observados. Tudo isso foi desconsiderado pela maior parte dos filósofos do determinismo. E segundo ele, o método científico que se utiliza de símbolos matemáticos é importante para se investigar um objeto no espaço de uma maneira relativa e de certa forma ilusória, pois acreditamos que o conhecemos por completo. Podemos conhecer o ser internamente mediante a metafísica e desta forma chegar a um absoluto:

(...) Seja, por exemplo, o movimento de um objeto no espaço. Eu percebo de maneira diferente conforme o ponto de vista, móvel ou imóvel, donde o observo. Eu o exprimo diferentemente, conforme o sistema de eixos ou de pontos de referência aos quais o relaciono, isto é, conforme os símbolos pelos quais o traduzo. E o chamo relativo por esta dupla razão: tanto num caso como o outro, coloco-me de fora do próprio objeto. Quando falo de um movimento absoluto, é que atribuo ao móvel um interior e como que estados de alma, é também, porque simpatizo com os estados e me insiro neles por um esforço de imaginação  (...) Em suma, o movimento não será mais apreendido de fora e, de alguma forma, a partir de mim, mas sim de dentro, nele mesmo, em si. Eu possuiria um absoluto. (BERGSON, 1984, p.13).


(...) A ciência positiva se dirige à observação sensível. Ela obtém assim materiais cuja elaboração confia à faculdade de abstrair e de generalizar, ao juízo e ao raciocínio, à inteligência (...) Ela prende-se ao que há de físico-químico nos fenômenos da vida mais do que ao que é propriamente vital no vivente. Mas seu embaraço é grande quando chega ao espírito. Isto não quer dizer que ela não possa obter aí algum conhecimento; mas este conhecimento torna-se tanto mais vago quanto mais ela se distancia da fronteira comum ao espírito e à matéria. (Bergson, 2006, p. 117).


(...) A maior parte do tempo, vivemos exteriormente a nós mesmos, não percepcionamos do nosso eu senão o seu fantasma descolorido, sombra que a pura duração projeta o espaço homogêneo. A nossa existência desenrola, portanto, mais no espaço do que no tempo: vivemos mais para o mundo exterior do que para nós; falamos mais do que pensamos; ‘somos agidos’ mais do que agimos. Agir livremente é retomar a posse de si, é situar-se na pura duração”. (Bergson, 1988, p. 159).

Fontes:
BERGSON, Henri. Introdução à Metafísica. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural. 1984, 238 p.
______ Ensaio Sobre os Dados Imediatos da Consciência. Lisboa: Edições 70. 1988, 164 p.
______ O Pensamento e o Movente. São Paulo: Martins Fontes. 2006, 304 p. 

Ver também