Frase do dia

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14/09/2012

[Poema] Os buracos no espelho


o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora


(Arnaldo Antunes)

13/09/2012

[Música/Vídeo] Meu coração

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender

Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente

E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar

(Refrão)

Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente


E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar

(Refrão, 5X)


(Arnaldo Antunes)




20/08/2012

[Poema] Bem aqui







Que a brisa leve dos teus olhos leve o aroma da felicidade 
E o sabor dos teus beijos destruam cada desejo tornado vão, 
Que afetam a pureza do ser e causam tamanha dor ao meu coração. 
Pois, minha vida é dosada por gotas, ora de paixão, ora de dor, 
As quais aceleram o sangue e causam corrosão no decorrer da saudade! 
Consequentemente existe algo armazenado em meu peito e por tal efeito, 
Ousei de maneira constante e contundente, batizá-lo de "amor". 
Talvez eu seja bem confuso e panoramicamente equivocado, 
De sentimentos estranhos, atitudes reversas e opiniões indeléveis. 
Diante de toda a palavra, pronunciada na boca ou na mente, 
Que ao longo do curto tempo de toda minha vida é concretizada. 
Tudo isso traz humores oscilatórios, vazios transitórios, 
Os quais atravessam o corpo e tornam a alma desobediente. 
Posso simultaneamente ver e não ver o que foi transformado, 
De criação a aniquilação de sentimentos meu ser é baseado. 
Em meio a esses sentimentos manifesta o amor pela vida, 
Do qual os sonhos são alimentados e o sol volta a brilhar no hoje, 
E, por fim, permanecem aqui: nem tão perto, nem tão longe!


 (Luis Valério Prandel)

04/02/2012

[Poema] Infinito Complexo


Infinito tão complexo,
De calma e estranha beleza.
Verdades agindo sem nexo,
Com elevada pureza.

Alma passeia complexa,
No espaço quase infinito.
A vida está anexa
Ao universo indescrito.

Calor do sol chega e fere,
Em tamanha escala,
Todo o ser que adere
E denso fluído exala.

Atividade caótica,
Complexa e infinita.
Fugindo da nossa óptica,
Perpassando toda a vida.

Detalhes sempre evitados,
Num cotidiano raso.
Sentimentos acelerados
E infelizes nesse caso.

Na boca causadora da morte,
Nos olhos causadores da luz.
Que todo esse infinito aporte,
Ao centro de uma simples cruz.

Areia de cristais envelhecidos,
Água causadora de tantas vidas.
Nos corpos são tão bem acrescidos,
De complexidades pré-existidas.

Absorvendo a latência do sol
E do cosmos estranho e sem fim.
Linha do tempo em caracol,
Acumulando destinos em mim!

(Luis Valério Prandel)

12/01/2012

[Poema] Dormes...


Dormes... Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta?  Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?


São meus versos!  Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!




Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro... e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro


Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu hálito sorvendo
Por que surge tão cedo a luz do dia?!


(Olavo Bilac)

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