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08/01/2012

[Canção / Vídeo] Cântico das Criaturas


Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
Altissimu, onnipotente bon Signore,
a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
Tue so' le laude, la gloria e l'honore et onne benedictione.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
Ad Te solo, Altissimo, se konfano,
e nenhum homem é digno de te nomear.
et nullu homo ène dignu te mentovare.
Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
Laudato sie, mi' Signore cum tucte le Tue creature,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
spetialmente messor lo frate Sole,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
lo qual è iorno, et allumeni noi per lui.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor:
Et ellu è bellu e radiante cum grande splendore:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
de Te, Altissimo, porta significatione.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:
Laudato si', mi Signore, per sora Luna e le stelle:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
in celu l'ài formate clarite et pretiose et belle.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
Laudato si', mi' Signore, per frate Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,
et per aere et nubilo et sereno et onne tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
per lo quale, a le Tue creature dài sustentamento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
Laudato si', mi' Signore, per sor Aqua,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
la quale è multo utile et humile et pretiosa et casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
Laudato si', mi Signore, per frate Focu,
pelo qual alumias a noite:
per lo quale ennallumini la nocte:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
ed ello è bello et iocundo et robustoso et forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
Laudato si', mi' Signore, per sora nostra matre Terra,
que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,
la quale ne sustenta et governa, et produce diversi fructi
com flores coloridas, e verduras.
con coloriti flori et herba.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
Laudato si', mi Signore, per quelli che perdonano per lo Tuo amore
e suportam enfermidades e tribulações.
et sostengono infirmitate et tribulatione.
Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,
Beati quelli ke 'l sosterranno in pace,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
ka da Te, Altissimo, sirano incoronati.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,
Laudato si' mi Signore, per sora nostra Morte corporale,
à qual nenhum homem vivente pode escapar:
da la quale nullu homo vivente po' skappare:
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
guai a quelli ke morrano ne le peccata mortali!
Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,
beati quelli ke trovarà ne le Tue sanctissime voluntati,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
ka la morte secunda no 'l farrà male.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
Laudate et benedicete mi Signore et rengratiate
e servi-o com grande humildade...
e serviateli cum grande humilitate...

(São Francisco de Assis)

02/01/2011

[...] Floresta "eu"

Caminho em meio a uma floresta nomeada "eu". Vago por entre as árvores, busco um caminho menos tortuoso. Encontro (ou não) repouso...

O sol brilha forte e seca apenas as plantas isentas da umidade de um rio que passa por ali, ora com águas claras ora com águas escuras, dependendo da estação.

A tempestade chega e modifica a textura do solo, das pedras e das plantas. Raios atingem árvores, danificando-as temporariamente ou para sempre. Meus passos tornam-se mais rápidos e minha respiração ofegante, pois os abrigos seguros tornam-se escassos. A tempestade cessa e vem a calmaria.

O sol se põe, uma brisa leve movimenta lentamente algumas folhas. Ouço um relâmpago em um local muito distante. O medo desaparece junto com a preocupação.

Os perigos são inevitáveis quando surge a noite. Não há lua nem estrelas para clarear o céu. As malditas feras trazem consigo a insegurança. A morte poderia vir a qualquer momento.

A noite termina e a claridade consome com a minha amargura o dia é torna-se normal e rotineiro.

De repente, árvores surgem e outras desaparecem a minha frente, interajo com criaturas metafísicas e o sol muda de cor (cor desconhecida). Tudo muda de textura: solo, pedras e plantas (texturas desconhecidas). O rio inverte seu curso.

E por momento o tempo para e não consigo diferenciar o dia da noite, a manhã da tarde e a tempestade da calmaria. Passado, presente e futuro se encontram. Cores e texturas desaparecem por completo e o rio congela.

Depois de tudo isso, vejo algo inacreditável e espetacular: tudo volta ao normal, isto é, volto a caminhar em meio a floresta como se nada tivesse acontecido. Na verdade, nada aconteceu ou tudo deixou de acontecer. Chego ao final!

(Luis Valério Prandel)

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