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06/09/2012

[...] Onde a fé se encaixa?

Há ocasiões em que optamos por acreditar em algo que normalmente seria considerado absolutamente irracional. Isso não significa que seja mesmo irracional, mas certamente não é racional. Talvez exista a supra-racionalidade: a razão além das definições normais dos fatos ou da lógica baseada em dados. Algo que só faz sentido se você puder ver uma imagem maior da realidade. Talvez seja aí que a fé se encaixe...

(William P. Young in "A Cabana")

12/08/2012

[Poema] Tristeza do Infinito














Anda em mim, soturnamente, 
uma tristeza ociosa, 
sem objetivo, latente, 
vaga, indecisa, medrosa. 

Como ave torva e sem rumo, 
ondula, vagueia, oscila 
e sobe em nuvens de fumo 
e na minh'alma se asila. 

Uma tristeza que eu, mudo, 
fico nela meditando 
e meditando, por tudo 
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde, 
de não sei quando nem como... 
flor mortal, que dentro esconde 
sementes de um mago pomo. 

Dessas tristezas incertas, 
esparsas, indefinidas... 
como almas vagas, desertas 
no rumo eterno das vidas. 




Tristeza sem causa forte, 
diversa de outras tristezas, 
nem da vida nem da morte 
gerada nas correntezas... 

Tristeza de outros espaços, 
de outros céus, de outras esferas, 
de outros límpidos abraços, 
de outras castas primaveras. 

Dessas tristezas que vagam 
com volúpias tão sombrias 
que as nossas almas alagam 
de estranhas melancolias. 

Dessas tristezas sem fundo, 
sem origens prolongadas, 
sem saudades deste mundo, 
sem noites, sem alvoradas. 

Que principiam no sonho 
e acabam na Realidade, 
através do mar tristonho 
desta absurda Imensidade. 

Certa tristeza indizível, 
abstrata, como se fosse 
a grande alma do Sensível 
magoada, mística, doce. 

Ah! tristeza imponderável, 
abismo, mistério, aflito, 
torturante, formidável... 
ah! tristeza do Infinito!



(Cruz e Souza)

25/03/2012

[...] Permeando sonhos


Estamos inseridos em um mundo hiper-confuso no qual a alma busca uma saída: vai permeando regiões onde reinam sonhos e esperanças. De repente, nos deparamos com a rotina diária e encontramos sinais angustiantes das dores passadas e da solidão atual. Porém, outras vezes, fugimos dessa rude realidade e sentimos as alegrias jamais vivenciadas, porém, frequentemente sonhadas. Com esse estado de espírito, a alma volta a permear e o nosso ser retoma ao estado de felicidade!

(Luis Valério Prandel)

28/12/2010

[...] Pseudo-realidade materialista

Quando fujo do mundo das ideias entro em contato com o mundo material, noto que a vida corpórea é amplamente ilusória, formada de felicidades finitas. A felicidade que perdura é aquela que está no pensamento, nos sonhos e sentimentos que não é afetada pelas ações do mundo.

Há medida que o nosso pensamento turva, mergulhamos na realidade, que na verdade é chamada erroneamente de realidade. Como podemos ter a certeza de que a realidade está no mundo que estamos inseridos? Por que não sabemos explicar a morte e o nascimento?

Ao meu ver, esta "realidade materialista" (pseudo-realidade) é ilusória e passageira que vai matando aos poucos nossa mente a medida que o corpo vai sendo afetado. No mundo das ideias a felicidade dura para sempre quando não é destruída pela falsa realidade material, os sonhos existem e trazem felicidade quando não se colapsam a pseudo-realizade.

Melhor sentimos a presença de Deus em nossos pensamentos (dizemos que é em nosso coração por acreditarmos que este sentimento é corpóreo e está relacionado com o nosso sistema circulatório), pois olhamos para este mundo sádico e o vemos apenas como algo provisório no qual passamos por ele e almejamos uma outra vida completamente não materialista de eterna felicidade. É isto que a maioria das religiões afirmam.

Os atos de bondade partem dos pensamentos, dos sonhos, da fé e estes sim trazem felicidade. Infelizmente estes atos saem do mundo superior das ideias e são inseridos no mundo material. Em consequência disso, estes atos na maioria das vezes são corroídos pela pseudo-realidade e podem extinguir-se por completo no mundo real das ideias.

A maioria dos seres humanos se esqueceram da razão e entregaram suas almas para a pseudo-realidade materialista na qual os bons sentimentos e sonhos são aniquilados por uma sórdida ilusão.

(Luis Valério Prandel)

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