quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

[...] O tempo


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. 
Quando se vê, já são seis horas! 
Quando de vê, já é sexta-feira! 
Quando se vê, já é natal... 
Quando se vê, já terminou o ano... 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 
Quando se vê passaram 50 anos! 
Agora é tarde demais para ser reprovado... 
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... 
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... 
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. 
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. 
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

(Mário Quintana)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

[Poema] Anjos do mar


As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d’escuma revolvem-se nus! 


E quando, de noite, vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear...
E a trança luzente da nuvem flutua...
As ondas são anjos que dormem no mar!


Que dormem, que sonham... e o vento dos céus
Vem tépido, à noite, nos seios beijar!...
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!


E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar...
São beijos que queimam... e as noites deliram
E os pobres anjinhos estão a chorar!


Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar...
Por que não consentes, num beijo de amor,
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar


(Álvares de Azevedo)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

[Poema] Caminho além do caminho


O caos fundiu aquele olhar,
Palpitando emoções.
A voz insistiu a clamar,
Nos vãos dos corações.

Passado profundo...

Emancipando mente travada,
Protesto garantido,
De uma mente enclausurada,
E um só indefinido.

Presente oriundo...

Assim a irmã da minha loucura
É minh'alma abatida.
A mãe de toda minha ternura,
Aqui fortalecida.

Futuro rotundo...

Aspergiremos palavras sem nexo, 
Aos olhos da razão.
Irá além do prazer perplexo,
Parte do corpo são.

(Luis Valério Prandel)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

[...] Nós*

Nós humanos... Seres simples diante de um todo e ao mesmo tempo complexos diante de uma parte da própria consciência. Estamos mergulhados em um fluído denso de informações as quais nos causam prazer ou dor. O que é nossa vida senão um aglomerado de causas e efeitos, atos potências ao longo do tempo? Os vazios da alma podem ser preenchidos provisoriamente por fluídos denominados "sonhos" que são agentes causadores de potencialidades. Se tudo isso gerar prazer em nossa vida e a consciência acordar, a alma torna-se livre para que esses sonhos sejam convertidos em atos de amor totalmente efetivos. Nós: conjunto de seres que podem afetar positivamente (ou não) a simplicidade e a complexidade humana!

(Luis Valério Prandel)        
____
* A palavra "nós" pode ser interpretada em duplo sentido: tanto como pronome pessoal da primeira pessoa do plural ou como o plural de laço, neste caso, de  pessoas que são interligadas de certa maneira, formando as redes sociais.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

[Música / Vídeo] Num dia


Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água


Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa


Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vaga-lume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima


Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Ter saudade no final da tarde
Para quando escurecer, esquecer
Ao se deitar para dormir, dormir (4x)
Dormir. 

(Arnaldo Antunes)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

[Poema] Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.


A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.


Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem


Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.


(Vinícius de Moraes)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

[Poema] Infinito Complexo


Infinito tão complexo,
De calma e estranha beleza.
Verdades agindo sem nexo,
Com elevada pureza.

Alma passeia complexa,
No espaço quase infinito.
A vida está anexa
Ao universo indescrito.

Calor do sol chega e fere,
Em tamanha escala,
Todo o ser que adere
E denso fluído exala.

Atividade caótica,
Complexa e infinita.
Fugindo da nossa óptica,
Perpassando toda a vida.

Detalhes sempre evitados,
Num cotidiano raso.
Sentimentos acelerados
E infelizes nesse caso.

Na boca causadora da morte,
Nos olhos causadores da luz.
Que todo esse infinito aporte,
Ao centro de uma simples cruz.

Areia de cristais envelhecidos,
Água causadora de tantas vidas.
Nos corpos são tão bem acrescidos,
De complexidades pré-existidas.

Absorvendo a latência do sol
E do cosmos estranho e sem fim.
Linha do tempo em caracol,
Acumulando destinos em mim!

(Luis Valério Prandel)
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