quarta-feira, 29 de agosto de 2012

[...] Bons Amigos


Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

(Machado de Assis)

domingo, 26 de agosto de 2012

[...] Ser feliz


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.


(Augusto Cury in "Dez leis para ser feliz")

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

[Poema] Bem aqui







Que a brisa leve dos teus olhos leve o aroma da felicidade 
E o sabor dos teus beijos destruam cada desejo tornado vão, 
Que afetam a pureza do ser e causam tamanha dor ao meu coração. 
Pois, minha vida é dosada por gotas, ora de paixão, ora de dor, 
As quais aceleram o sangue e causam corrosão no decorrer da saudade! 
Consequentemente existe algo armazenado em meu peito e por tal efeito, 
Ousei de maneira constante e contundente, batizá-lo de "amor". 
Talvez eu seja bem confuso e panoramicamente equivocado, 
De sentimentos estranhos, atitudes reversas e opiniões indeléveis. 
Diante de toda a palavra, pronunciada na boca ou na mente, 
Que ao longo do curto tempo de toda minha vida é concretizada. 
Tudo isso traz humores oscilatórios, vazios transitórios, 
Os quais atravessam o corpo e tornam a alma desobediente. 
Posso simultaneamente ver e não ver o que foi transformado, 
De criação a aniquilação de sentimentos meu ser é baseado. 
Em meio a esses sentimentos manifesta o amor pela vida, 
Do qual os sonhos são alimentados e o sol volta a brilhar no hoje, 
E, por fim, permanecem aqui: nem tão perto, nem tão longe!


 (Luis Valério Prandel)

domingo, 12 de agosto de 2012

[Poema] Tristeza do Infinito














Anda em mim, soturnamente, 
uma tristeza ociosa, 
sem objetivo, latente, 
vaga, indecisa, medrosa. 

Como ave torva e sem rumo, 
ondula, vagueia, oscila 
e sobe em nuvens de fumo 
e na minh'alma se asila. 

Uma tristeza que eu, mudo, 
fico nela meditando 
e meditando, por tudo 
e em toda a parte sonhando.

Tristeza de não sei donde, 
de não sei quando nem como... 
flor mortal, que dentro esconde 
sementes de um mago pomo. 

Dessas tristezas incertas, 
esparsas, indefinidas... 
como almas vagas, desertas 
no rumo eterno das vidas. 




Tristeza sem causa forte, 
diversa de outras tristezas, 
nem da vida nem da morte 
gerada nas correntezas... 

Tristeza de outros espaços, 
de outros céus, de outras esferas, 
de outros límpidos abraços, 
de outras castas primaveras. 

Dessas tristezas que vagam 
com volúpias tão sombrias 
que as nossas almas alagam 
de estranhas melancolias. 

Dessas tristezas sem fundo, 
sem origens prolongadas, 
sem saudades deste mundo, 
sem noites, sem alvoradas. 

Que principiam no sonho 
e acabam na Realidade, 
através do mar tristonho 
desta absurda Imensidade. 

Certa tristeza indizível, 
abstrata, como se fosse 
a grande alma do Sensível 
magoada, mística, doce. 

Ah! tristeza imponderável, 
abismo, mistério, aflito, 
torturante, formidável... 
ah! tristeza do Infinito!



(Cruz e Souza)

sábado, 11 de agosto de 2012

[Poema] O meu nirvana


No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéa Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas —

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!

(Augusto dos Anjos)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

[Vídeo / Música] O Estopim


Eu preciso me pôr
No meu lugar
Parar de achar ou de supor
Largar mão da solução
Que dizem ser o amor
Pois o estupor
Foi o estopim
De todo este horror
Que se instalou em mim
Mas se alguém falou
Eu nada ouvi
E por não pôr tudo a perder
Tudo perdi

(Heitor e Banda Gentileza)

[Vídeo / Música] A Chave



Só porque eu quis casar

Você quis fugir
Machucou meu coração
Fui pra lá de mim
Me meti em cada situação
Que nem me lembra

E só porque eu quis casar

Você quis fugir
Machucou meu coração
Fui pra lá de mim
Me meti em cada situação
Que nem me lembra

Aah, aah!
Então resolvi fingir não causar mais comoção

E se era pra rir
Por que eu chorei então?
E se não era pra ser
Por que insistir então?
Mas se não era pra ser
Por que insistir então?

Depois de um tempo me recuperei

Levantei minha auto-estima
Resolvi sair por cima
Sem pensar que também errei

E quando eu quis sair

Você voltou
Apareceu de novo
Quando quase não havia mais você em mim
Você voltou
Quando enfim pensei que eu tava livre
Você voltou

Aah, aah!
E a nossa história

O que vai acontecer?
Seja o que Deus quiser
Venha o que vier
Da forma como for
Ah, eu aceito
Eu aceito, amor.

(Bárbara Eugênia)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

[Vídeo/ Música] À Beira do Ridículo




Longe, longe, quando dei por mim
Estava a esperar você pensar e decidir mudar
Longe, longe fui pra te buscar
E quando cheguei lá você não tinha mais por que voltar
Ah, tanto faz ter me humilhado assim
Até já sei que outro alguém roubou o meu lugar
Quando lembro do seu provocar
Andando de lá pra cá com aquele seu amor vulgar
Sabe, hoje penso em seu penar
Eu tentei te avisar, mas você nunca foi de me escutar
Ah, ninguém mais pra te tirar daí
Se quem te amou você tampouco quis considerar
Ah, tanto faz ter me humilhado assim
Até já sei que outro alguém roubou o meu lugar


(Pélico)

sábado, 4 de agosto de 2012

[Física] Bóson de Higgs é detectado fora do LHC

Fig 1. O bóson de Higgs, representado pela esfera vermelha, é descrito por uma oscilação de potencial em um sistema bidimensional. [Imagem: MPQ/Quantum Many-Body Division]

Escalas diferentes

Esqueça um pouco o LHC e a festa feita há poucos dias para anunciar a descoberta de um bóson do tipo Higgs.

Agora, uma equipe de físicos da Alemanha e dos Estados Unidos acaba de anunciar uma descoberta similar - um bóson do tipo Higgs.

Se o achado é similar, contudo, as técnicas utilizadas são radicalmente diferentes.

O LHC, que é maior experimento científico da história, com um túnel de 27 km na fronteira entre a Suíça e França, custou US$8 bilhões e foi projetado para operar a até 14 tera-elétron volts (TeV) - por problemas técnicos, hoje ele funciona a apenas 8 TeV.

Manuel Endres e seus colegas do Instituto Max Planck, por outro lado, encontraram as excitações do tipo Higgs na transição entre diferentes fases da matéria, em um sistema de átomos ultrafrios, próximos ao zero absoluto, em um equipamento do tamanho de uma mesa.

De fato, o que realmente separa os dois experimentos é a escala - não apenas a dimensão, mas principalmente a escala de energia.

Enquanto as experiências do LHC são executadas nas energias mais altas que se pode alcançar, o novo experimento foi realizado nas menores faixas de energia possíveis.

Pondo em números, os experimentos do LHC são realizados em energias 12 ordens de grandeza maiores do que as energias típicas à temperatura ambiente; o novo experimento foi realizado em uma magnitude 11 ordens de grandeza menores do que as energias típicas à temperatura ambiente.


Campo de Higgs

No novo experimento, um material magnético foi resfriado abaixo da temperatura Curie, desenvolvendo uma "ordem global", a seguir excitada para produzir uma oscilação coletiva, na qual todas as partículas se movem de forma coordenada.

Se o comportamento coletivo das partículas segue as regras da relatividade, pode-se desenvolver um tipo especial de oscilação, a chamada excitação de Higgs.

Esse campo é fundamental para o modelo padrão das partículas elementares, onde ele é chamado de bóson de Higgs.

Em tese, sistemas sólidos também podem apresentar excitações de Higgs, desde que o movimento coletivo das suas partículas sigam regras similares às da teoria da relatividade.

O experimento começou com o resfriamento de átomos de rubídio até temperaturas próximas ao zero absoluto.

Eles foram a seguir injetados em uma rede óptica bidimensional, parecida com um tabuleiro de damas, onde os quadros claros e escuros são produzidos por feixes de laser interferindo uns com os outros.

Nessas redes, os átomos ultrafrios podem assumir diversos estados da matéria. E foi nessas transições que os cientistas detectaram o bóson de Higgs.


Teoria de campo relativística efetiva

Fig2. Em contraste com o túnel de 27 km do LHC, o novo experimento foi realizado com uma óptica complexa, mas que cabe sobre uma mesa. [Imagem: MPQ/Quantum Many-Body Division]




Em redes ópticas muito intensas - o que significa um contraste muito forte entre os espaços escuros e as áreas brilhantes -, desenvolve-se um estado altamente ordenado, chamado isolante de Mott.

Neste estado, cada quadro da rede é ocupado por exatamente um átomo, que fica fixo no lugar. Se a intensidade da rede for diminuída continuamente, ocorre uma transição de fase para um superfluido.

Em um superfluido, todos os átomos são parte de um único campo, que se estende ao longo de toda a rede, com o movimento coletivo do sistema sendo descrito por uma onda quântica estendida.

A dinâmica desse campo quântico segue as leis da chamada "teoria de campo relativística efetiva", na qual a velocidade da luz é substituída pela velocidade do som.

Finalmente, quando o sistema é forçado para fora do seu equilíbrio, são geradas oscilações coletivas na forma de excitações de Higgs.

A existência de excitações de Higgs em sistemas desse tipo tem sido alvo de intensos debates entre os físicos teóricos.

"Nós detectamos um fenômeno que, atualmente, não pode ser calculado precisamente. Isto torna nossa observação experimental ainda mais importante," conclui Manuel Endres, principal idealizador do experimento.


Como comparar o bóson de Higgs do LHC com o "novo" bóson de Higgs?

É muito difícil comparar os dois resultados, a partícula tipo Higgs encontrada pelo LHC, e a excitação de campo tipo Higgs encontrada na transição de fases do sistema ultrafrio.
É uma situação, de resto muito comum na física, onde o mesmo conceito teórico é usado para descrever diferentes sistemas físicos.

Pense, por exemplo, no conceito de onda.

O movimento coletivo de partículas é descrito por "equações de onda" em situações físicas muito diferentes, que podem ser as ondas na água, ondas de som no ar ou em sólidos, ou ondas eletromagnéticas.

Na descrição teórica desses sistemas, as "ondas" aparecem como um conceito comum. No entanto, os sistemas são muito diferentes e a descrição teórica de cada um pode ter diferentes níveis de complexidade - ondas eletromagnéticas são muito mais complicadas do que ondas de som.

Da mesma forma que pode haver ondas em todos esses sistemas, bósons de Higgs podem aparecer em situações muito diferentes (Fig. 3).

Fig 3. A principal distinção entre os dois experimentos é a escala de energia utilizada. [Imagem: Manuel Endres]












O experimento agora realizado na Alemanha é o mais simples que permite o surgimento de uma excitação do tipo Higgs. Ele pode, portanto, ser considerado como um sistema modelo. A descrição da física que está sendo feita no LHC é muito mais complexa.

Um aspecto importante é que o Higgs do LHC e o Higgs do sistema ultrafrio aparecem em escalas de energia muito diferentes.

No entanto, em ambos os casos, a descrição teórica é semelhante.

Assim, é como comparar as ondas gigantescas no oceano com ondas que você consegue fazer em um copo d'água. A física é semelhante, mas as escalas de energia são totalmente diferentes.

_______
Bibliografia:
The 'Higgs' amplitude mode at the two-dimensional superfluid/Mott insulator transition.
Manuel Endres, Takeshi Fukuhara, David Pekker, Marc Cheneau, Peter Schaub, Christian Gross, Eugene Demler, Stefan Kuhr, Immanuel Bloch
Nature
Vol.: 487 (7408): 454
DOI: 10.1038/nature11255

Fonte da redação e figuras:
Site Inovação Tecnológica - 02/08/2012 (http://www.inovacaotecnologica.com.br/)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

[Poema] Poema de Camões




Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.


Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.


Brado: - Não me fujais, sombra benina!
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,


Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina...
Antes que diga: - mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.


(Luís Vaz de Camões)

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