quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

[...] Agindo...

Falando perfeitamente, de modo incoerente... passando ao lado dos túmulos e resgatando na memória a imperfeição de toda gente, que é frequente...


Aumentando mais o som do silêncio da ausência, diminuindo a vacância e a maledicência...


Aproveitando cada ocaso do acaso, matando qualquer lágrima do rosto, suprindo qualquer marca de desgosto...


Usufruíndo da velha dor já rejeitada, conspirando contra qualquer palavra alterada e alternada...


Lançando toda a loucura contra os lastros do pensamento lógico, buscando a quimera de um sonho mágico e jogando fora tudo o que é trágico... 


(Luis Valério Prandel)

domingo, 2 de janeiro de 2011

[...] Floresta "eu"

Caminho em meio a uma floresta nomeada "eu". Vago por entre as árvores, busco um caminho menos tortuoso. Encontro (ou não) repouso...

O sol brilha forte e seca apenas as plantas isentas da umidade de um rio que passa por ali, ora com águas claras ora com águas escuras, dependendo da estação.

A tempestade chega e modifica a textura do solo, das pedras e das plantas. Raios atingem árvores, danificando-as temporariamente ou para sempre. Meus passos tornam-se mais rápidos e minha respiração ofegante, pois os abrigos seguros tornam-se escassos. A tempestade cessa e vem a calmaria.

O sol se põe, uma brisa leve movimenta lentamente algumas folhas. Ouço um relâmpago em um local muito distante. O medo desaparece junto com a preocupação.

Os perigos são inevitáveis quando surge a noite. Não há lua nem estrelas para clarear o céu. As malditas feras trazem consigo a insegurança. A morte poderia vir a qualquer momento.

A noite termina e a claridade consome com a minha amargura o dia é torna-se normal e rotineiro.

De repente, árvores surgem e outras desaparecem a minha frente, interajo com criaturas metafísicas e o sol muda de cor (cor desconhecida). Tudo muda de textura: solo, pedras e plantas (texturas desconhecidas). O rio inverte seu curso.

E por momento o tempo para e não consigo diferenciar o dia da noite, a manhã da tarde e a tempestade da calmaria. Passado, presente e futuro se encontram. Cores e texturas desaparecem por completo e o rio congela.

Depois de tudo isso, vejo algo inacreditável e espetacular: tudo volta ao normal, isto é, volto a caminhar em meio a floresta como se nada tivesse acontecido. Na verdade, nada aconteceu ou tudo deixou de acontecer. Chego ao final!

(Luis Valério Prandel)

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