quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

[...] Ocaso das ideias

Cadê as ideias? Pois tornaram-se mais raras em nosso quotidiano... Essa raridade nos leva a seguinte reflexão: tecnologia nos dá a impossibilidade de se gerar ideias?... Podemos dizer que a tecnologia surgiu a partir de ideias, porém, de algumas pessoas. Já a maioria, a qual em certos pontos me sinto incluído, se tornaram "vampiros de informações", os quais, com o auxílio de toda tecnologia que o mundo oferece, apenas sugam informações alheias. Torna-se assim seres repletos de conteúdos não digeridos por seus próprios intelectos muito bem capacitados... Informações parasitas que são frequentemente injetadas e ejetadas geram o ocaso das ideias!

(Luis Valério Prandel)

[Poema] A vida vivida

Quem sou eu senão um grande sonho obscuro em face do Sonho
Senão uma grande angústia obscura em face da Angústia
Quem sou eu senão a imponderável árvore dentro da noite imóvel
E cujas presas remontam ao mais triste fundo da terra?




De que venho senão da eterna caminhada de uma sombra
Que se destrói à presença das fortes claridades
Mas em cujo rastro indelével repousa a face do mistério
E cuja forma é prodigiosa treva informe?

Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino
Rio que sou em busca do mar que me apavora
Alma que sou clamando o desfalecimento
Carne que sou no âmago inútil da prece?

O que é a mulher em mim senão o Túmulo
O branco marco da minha rota peregrina
Aquela em cujos braços vou caminhando para a morte
Mas em cujos braços somente tenho vida?

O que é o meu amor, ai de mim! senão a luz impossível
Senão a estrela parada num oceano de melancolia
O que me diz ele senão que é vã toda a palavra
Que não repousa no seio trágico do abismo?

O que é o meu Amor? senão o meu desejo iluminado
O meu infinito desejo de ser o que sou acima de mim mesmo
O meu eterno partir da minha vontade enorme de ficar
Peregrino, peregrino de um instante, peregrino de todos os instantes?

A quem respondo senão a ecos, a soluços, a lamentos
De vozes que morrem no fundo do meu prazer ou do meu tédio
A quem falo senão a multidões de símbolos errantes
Cuja tragédia efêmera nenhum espírito imagina?

Qual é o meu ideal senão fazer do céu poderoso a Língua
Da nuvem a Palavra imortal cheia de segredo
E do fundo do inferno delirantemente proclamá-los
Em Poesia que se derrame como sol ou como chuva?

O que é o meu ideal senão o Supremo Impossível
Aquele que é, só ele, o meu cuidado e o meu anelo
O que é ele em mim senão o meu desejo de encontrá-lo
E o encontrando, o meu medo de não o reconhecer?

O que sou eu senão ele, o Deus em sofrimento
O temor imperceptível na voz portentosa do vento
O bater invisível de um coração no descampado...
O que sou eu senão Eu Mesmo em face de mim?


(Vinícius de Moraes)

sábado, 18 de junho de 2011

[Poema] Consequência

Mergulha no mar da ilusão
Em um clima de plena paixão
A Solidão está quase morta
Por sombras projetadas nas costas
Imaturidade consequente
Desejos que invadem a mente


O chão já não é mais tal lugar

É um doce e simples planar
Com asas e pernas restauradas
A serem justamente quebradas
Com mover duma total angústia
Bem carnal, tão profunda e rústica

A imperfeição latente
Lágrimas doces
Risos amargos
Aceleram na tangente

(Luis Valério Prandel)

sábado, 4 de junho de 2011

[...] Infinito raso


Posso passar por ali, e não ver o fundo da alma acoplada no braço de uma pedra...

O que importa se não há braços para abraçar a nuvem, se não há chão para acalentar a alma e não há céu para assistir o corpo?

O vazio não conquista uma estrutura recíproca, porque o infinito não tem vez diante de sentimentos acabados e de amores desrelacionados...

Alma que no fundo lembra a pedra e abraça o céu, não acalenta o corpo, pois o vazio não causa o infinito dos amores...


(Luis Valério Prandel)

terça-feira, 5 de abril de 2011

[...] Intenção


Os bons atos serão somados ao longo do tempo e jamais carregados pelo vento da má-intencionalidade. Ora, onde existem boas intenções, reina a tranquilidade do viver bem. São ações que nunca deixam de serem agentes causadores da felicidade e não apenas na simples igualdade entre seres, mas encontrando a semelhança em meio à diferença. Os atos bem-intencionados causam o bem-estar do sonhar longe e do realizar-se perto.

(Luis Valério Prandel)

segunda-feira, 7 de março de 2011

[Poema] Vida

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.


Augusto Branco

sábado, 12 de fevereiro de 2011

[...] Alegria

Sentimento que atinge o âmago de qualquer essência, que causa candura...

Enobrece o ser e revigora sua alma...

Preenche os vazios, trazendo a felicidade...

Contagiante, envolvente e participante, totalmente...

Pode ser duradoura, rompendo as barreiras da arrogância...

E eterna, quando se alcança algo que sonha...


(Luis Valério Prandel)

[Poema] A música das almas

Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma

E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam
a terra...

Depois veio a claridade, o grande céu, a paz dos campos...


Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto


Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.



Vinícius de Moraes

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

[...] Agindo...

Falando perfeitamente, de modo incoerente... passando ao lado dos túmulos e resgatando na memória a imperfeição de toda gente, que é frequente...


Aumentando mais o som do silêncio da ausência, diminuindo a vacância e a maledicência...


Aproveitando cada ocaso do acaso, matando qualquer lágrima do rosto, suprindo qualquer marca de desgosto...


Usufruíndo da velha dor já rejeitada, conspirando contra qualquer palavra alterada e alternada...


Lançando toda a loucura contra os lastros do pensamento lógico, buscando a quimera de um sonho mágico e jogando fora tudo o que é trágico... 


(Luis Valério Prandel)

domingo, 2 de janeiro de 2011

[...] Floresta "eu"

Caminho em meio a uma floresta nomeada "eu". Vago por entre as árvores, busco um caminho menos tortuoso. Encontro (ou não) repouso...

O sol brilha forte e seca apenas as plantas isentas da umidade de um rio que passa por ali, ora com águas claras ora com águas escuras, dependendo da estação.

A tempestade chega e modifica a textura do solo, das pedras e das plantas. Raios atingem árvores, danificando-as temporariamente ou para sempre. Meus passos tornam-se mais rápidos e minha respiração ofegante, pois os abrigos seguros tornam-se escassos. A tempestade cessa e vem a calmaria.

O sol se põe, uma brisa leve movimenta lentamente algumas folhas. Ouço um relâmpago em um local muito distante. O medo desaparece junto com a preocupação.

Os perigos são inevitáveis quando surge a noite. Não há lua nem estrelas para clarear o céu. As malditas feras trazem consigo a insegurança. A morte poderia vir a qualquer momento.

A noite termina e a claridade consome com a minha amargura o dia é torna-se normal e rotineiro.

De repente, árvores surgem e outras desaparecem a minha frente, interajo com criaturas metafísicas e o sol muda de cor (cor desconhecida). Tudo muda de textura: solo, pedras e plantas (texturas desconhecidas). O rio inverte seu curso.

E por momento o tempo para e não consigo diferenciar o dia da noite, a manhã da tarde e a tempestade da calmaria. Passado, presente e futuro se encontram. Cores e texturas desaparecem por completo e o rio congela.

Depois de tudo isso, vejo algo inacreditável e espetacular: tudo volta ao normal, isto é, volto a caminhar em meio a floresta como se nada tivesse acontecido. Na verdade, nada aconteceu ou tudo deixou de acontecer. Chego ao final!

(Luis Valério Prandel)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...